Quarta-feira, 26 de Dezembro de 2007

porque ele é bom

Sala cheia. Duas mesas em L. Numa delas os os anciões. Na outra os filhos, sobrinhos e netos.

Tio Fernando avança, de bíblia na mão, para o centro da sala e com ar compenetrado anuncia: Vou ler 4 versículos do Salmo 118 que faz referência ao motivo porque  estamos reunidos. Ele é o nosso Salvador:

"Meninos! Vai falar o pastor do templo maior de Chelas"

Tio Fernado mostra-se irratado com o dito. Faz-se silêncio

26 bendito seja o que vem em nome do senhor!. Da casa do senhor nós vos bendizemos.

refrão

dai graças ao senhor porque ele é bom

27 o senhor é nosso deus., ele fez brilhar sobre nós a sua lçuz. organizai uma festa com profus´~ao de coroas; e cheguem ate aos angulos do altar.

refraão

dai graças ao senhor porque ele é bom

28 sois o meu deus, venho agradecer-vos. venho glorificar-vos, sois o meu deus

 

dai graças ao senhor porque ele é bom

 

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Quinta-feira, 11 de Outubro de 2007

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Quarta-feira, 1 de Agosto de 2007

Protopoema

Do novelo emaranhado da memória, da escuridão dos

nós cegos, puxo um fio que me aparece solto.
Devagar o liberto, de medo que se desfaça entre os dedos.
É um fio longo, verde e azul, com cheiro de limos,

e tem a macieza quente do lodo vivo.
É um rio.
Corre-me nas mãos, agora molhadas.
Toda a água me passa entre as palmas abertas, e de

repente não sei se as águas nascem de mim, ou para mim fluem.
Continuo a puxar, não já memória apenas, mas o

próprio corpo do rio.
Sobre a minha pele navegam barcos, e sou também os

barcos e o céu que os cobre e os altos choupos que

vagarosamente deslizam sobre a película luminosa dos olhos.
Nadam-me peixes no sangue e oscilam entre duas

águas como os apelos imprecisos da memória.
Sinto a força dos braços e a vara que os prolonga.
Ao fundo do rio e de mim, desce como um lento e

firme pulsar do coração.
Agora o céu está mais perto e mudou de cor.
É todo ele verde e sonoro porque de ramo em ramo

acorda o canto das aves.
E quando num largo espaço o barco se detém, o meu

corpo despido brilha debaixo do sol, entre o

esplendor maior que acende a superfície das águas.
Aí se fundem numa só verdade as lembranças confusas

da memória e o vulto subitamente anunciado do futuro.
Uma ave sem nome desce donde não sei e vai pousar

calada sobre a proa rigorosa do barco.
Imóvel, espero que toda a água se banhe de azul e que

as aves digam nos ramos por que são altos os

choupos e rumorosas as suas folhas.
Então, corpo de barco e de rio na dimensão do homem,

sigo adiante para o fulvo remanso que as espadas

verticais circundam.
Aí, três palmos enterrarei a minha vara até à pedra viva.
Haverá o grande silêncio primordial quando as mãos se

juntarem às mãos.
Depois saberei tudo.

JS

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Sábado, 21 de Julho de 2007

O Baptizado da Maria

 Queridos tios(as) e primos(as),

 

No passado Domingo, dia 15 de Julho, como todos sabem, foi baptizada a Infanta Sofia, segunda filha dos Príncipes das Astúrias. Mas isso agora não interessa nada...

 

O que é importante é informar a família que nesse mesmo dia, teve lugar um evento de muito maior relevo: o 1º Aniversário e o Baptizado da nossa segunda princesinha, a Maria!

 

A criatura portou-se lindamente, dentro do que permite a energia inesgotável dos seus frenéticos 12 meses e, por muito que a mãe gostasse, a robustez dos seus 12 meses não permitiu a reutilização do vestido de Baptizado usado pela irmã, pela mãe ou por qualquer outro membro da família.

 

Aqui fica uma recordação, para os tios e primos, com um beijo especial da Maria e família!

 

 

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Sexta-feira, 6 de Abril de 2007

Descubra se for capaz

       

Quem é o personagem montado na motorizada?

Qual o local onde foi tirada a foto?

Qual a marca da motorizada?

Quem será o personagem que está à direita da foto?

 

Se tiver alguns palpites responda por comentário a este post.

 

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Sábado, 3 de Março de 2007

Mergulhando nas raízes

O “Menino do cesto” tem pedido por várias vezes para falar das Tias de Melres que marcaram realmente a sua vida como a de tantos outros que com elas tiveram a alegria de partilhar do seu dia a dia em ambiente cem por cento familiar.

Para aqueles que não as conheceram é necessário fazer um pouco de história.

As minhas tias (Alice, Virgínia e Lídia), eram conhecidas pelas “Meninas Ferreirinhas”, nome que surgiu pelo facto de seu pai ter nascido no lugar de Ferreirinha, freguesia da Foz do Sousa - Gondomar, e de lá ter vindo para Melres.

A sua casa ainda lá está, tal como era no tempo do meu avô. É bom ir às raízes e descobrir o que nelas se encontra, como em árvore de grande porte! É bom ir às raízes e penetrar na seiva que dá vida a esta árvore frondosa donde brotamos, como rebentos, em primaveras diversas. É salutar este mergulho, como quem vai ao fundo do mar em busca de tesouros escondidos.

Habitavam as três irmãs a Casa de Penacidra, no lugar da Boavista em Melres, onde nasceram e permaneceram, porque, sendo três, nenhuma delas se casou. Não porque fossem diferentes das outras raparigas do seu tempo, mas “há razões que a razão não conhece”…

                   

A Tia Gina (Virgínia) sempre se dedicou ao ensino e, um dia, apaixonada pelo carisma do Pai Américo, deixa tudo e vai fazer-se mãe de tantos que ajudou a crescer. Ali era verdadeira mãe: se estavam doentes, ela velava a sua cabeceira; aos pequeninos acordava de noite para que não molhassem a cama; e aos menos estudiosos lá andava com os seus livros às voltas. Vinha muitas vezes a Melres e trazia com ela um sorriso que jamais esquecerei que escondia o segredo da verdadeira felicidade. Em Melres, ensinou muita gente, formou Grupos Corais, ajudou os pobres e por seu intermédio se construíram casas do Património dos Pobres nesta freguesia.

A Tia Alice muito cedo veio viver para o Porto, para casa dos padrinhos, Senhor Brito e D. Rosinha, na Travessa do Campo 24 de Agosto, n.º 77. A sua doação à madrinha, durante a doença que se prolongou por muito tempo, foi motivo de grande admiração. O seu sorriso, a sua ternura, a sua meiguice encantaram a minha infância, pois desde os meus três anos de idade passava temporadas com ela. Todas as pessoas de Melres que tinham problemas vinham bater à sua porta.

A Tia Lídia foi sempre a mais ligada à casa mãe, a Casa de Penacidra, e mais virada para a administração das propriedades que pertenciam às três. A sua amizade pela irmã Alice foi sempre muito grande o que foi bem demonstrado pela maneira como a tratou durante os longos anos da sua doença, como se de um “bebé” se tratasse. Sempre dizia a Tia Lídia: “Ela sacrificou-se a tratar da madrinha, também há-de ter quem trate dela”. E assim aconteceu! E com que desvelo e dedicação o fez! Foi para nós um exemplo do que é a verdadeira amizade: “Aquele que ama é o que dá a vida pelos amigos”.

A Casa de Penacidra foi sempre um local de acolhimento. Ainda hoje, já lá vão tantos anos, muitas pessoas nos vêem dizer que se recordam de ter aprendido a costurar e a bordar em casa das “Ferreirinhas” e que lá também se iniciaram na arte da música. E, sempre que havia os célebres leilões em favor da Igreja de Melres ou qualquer outro evento mais significativo, as “Ferreirinhas” aí estavam presentes para animar, colaborar, liderar. É com orgulho que os seus sobrinhos dizem: “eu sou Ferreirinha”!

Naquela casa rezava-se, amava-se, brincava-se, mas o respeito pelos outros era ponto de honra.

Gostava muito de viver nesta casa porque a alegria era uma constante e as histórias de bruxas e de aparição de extra-terrestres não tinham lá guarida. Isto marcou a minha vida para sempre.

E agora que falei um pouco das minhas queridas três tias, vou falar-vos da ligação que havia entre Melres e Lagares.

A avó Idalina, antes de casar, morava numa casa que o Tio Fernando já referiu numa das suas crónicas. Ao lado morava a D. Rosa, professora em Melres, casada com o Senhor Cardoso, também ele lá professor, com dois filhos, o Senhor Cardoso (filho) e a D. Fernanda Cardoso, que vieram a ser igualmente professores, sendo esta última a madrinha do Tio Fernando, ainda viva.

    

O quintal da casa da D. Rosa fazia extrema com os campos da Casa de Penacidra, daí o ter-se criado uma passagem entre as duas propriedades pois a família Cardoso tinha grande amizade com as “Ferreirinhas”.

Assim se formou uma grande amizade, especialmente entre as jovens Idalina, Fernanda Cardoso, Lídia, Alice e Virgínia que várias fotografias demonstram a alegria dos seus folguedos.           

Há até uma foto da Mamã (D. Idalina - Avó Idalina) coma a Tia Alice vestidas de noivos. Foi uma amizade muito bem cimentada, uma amizade da idade dos sonhos e do alvorecer dos amores que confidenciavam entre si. A Mamã casou e foi viver para Lagares, mas a amizade permaneceu como corrente forte que o tempo não desgasta. Há correspondência desde os primeiros tempos de separação que provam isso mesmo.

E, agora, começa a perceber-se o porquê das vindas a Melres pela serra com os filhos pequenos e a nossa estadia conjunta na Foz, na Travessa da Senhora da Luz, com as tias Ferreirinhas e a Mamã.

Nessa altura iam para a “praia” a Vóvó (bisavó Maria José), a Mamã, a Tia Lídia, Tia a Alice, o Nando (Tio Fernando), a Zinha (Tia Zinha), o Zeca (Tio Zé), a Guidita (eu própria) e o Zé Henrique (meu irmão -Tio Rique), os mais velhos. 

Destes tempos, muitas histórias há que quem quiser poderá contar, a seguir. Pouco me lembro desse tempo a não ser do meu irmão a subir a íngreme calçada da Travessa da Senhora da Luz e vir ter com ele uma miúda que lhe deu um safanão. Quem conhece a calma e a bondade dele, certamente achará graça à sua resposta: “Quando fores à minha terra eu digo-te como é!” Claro que não me posso esquecer dos banhos de mar forçados, quando o banheiro nos tomava nos braços e esperava que a onda subisse para nos “enfiar” dentro dela…

E também lembro com muita nitidez a figura do meu avô, pai das minhas tias e do meu pai, que passava algum tempo connosco na Foz. Dele algo me ficou muito marcado quando me dizia que o “eléctrico” parava quando ele mandasse.

Vim a descobrir muito mais tarde que o “eléctrico” realmente parava na paragem…

Esta cena deu origem a um poema que escrevi e ficou no Cancioneiro Infanto-Juvenil da Língua Portuguesa editado pelo Instituto Piaget.

O tempo foi passando “como um ai que mal soa / como sombra que passa / como nuvem que voa” e os meninos cresceram e tiveram que ir estudar para o Porto.

Foi nessa altura que a casa da Tia Alice na Travessa do Campo 24 de Agosto, 77 se transformou num lar de estudantes por onde passaram muitos de nós “aturados” pela Tia Alice, Tia Lídia e uma empregada. Aqui as minhas tias eram mães a tempo inteiro dos que por lá foram passando e que elas a todos queriam do fundo do coração. Fizeram, sucessivamente, parte desta “quase república” o Tio Fernando, a Tia Zinha, o Tio Zé, o Henrique Maria, o Zé Henrique, eu própria, o Tio Mário, a Tininha, a Tia Natália (Tátá) e, depois, outros mais novos. Apesar de uns serem sobrinhos e outros serem filhos de uma amiga (a Lininha - Avó Idalina) em nada eram estes diferenciados. Falavam deles com grande orgulho tendo as suas fotografias em lugar de honra em cima da cómoda do seu quarto. Posso testemunhar o quanto elas a todos amavam.

Agora é a vossa vez de contar as muitas histórias deste tempo passado no “77”, como nós chamávamos a esta “comunidade”. Pela minha parte, até posso referir uma história de amor que terminou em casamento e, por Graça de Deus, perdura até hoje. Recordo também as festas e os bailes que se organizavam com a total colaboração da Tias Ferreirinhas que se sentiam muito felizes por terem a gente jovem junto de si divertindo-se com todo o respeito.

Sem dúvida que esta convivência no “77” estreitou mais os laços que já uniam Melres a Lagares.

Mesmo antes desta convivência no Campo 24 de Agosto, já, na altura das férias, o Tio Fernando, o Tio Zé, o Tio Mário e até o Padre José Barbosa, passavam alguns dias em Penacidra a convite das minhas tias. Eram tempos de sã camaradagem em que participavam também a gente mais jovem da família Lopes (Maria Helena, Zézinha e Arturinho) que viviam no Porto, mas que todos os anos vinham passar uns tempos de férias a Penacidra, pois uma grande amizade ligava esta família às Ferreirinhas.

Estes são apenas alguns exemplos do espírito alegre, jovem e de grande doação das Ferreirinhas…

 

Tia Guida   

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Sábado, 16 de Dezembro de 2006

Postal de Boas Festas

Um MENINO nos foi dado

Tu vieste, Senhor, feito um menino

A precisar de carinhos e cuidados.

Vieste, Rei dos Céus, à terra em sombras

Igual a todos nós, mas sem pecados.

Nas alturas cantaram os Teus anjos

E na terra brilhou a Tua luz

Um menino nos foi dado por amor

Um menino, Emanuel, doce Jesus.

Ajoelho-me, hoje, como fazem os pastores,

E os reis, que souberam reconhecer a luz,

Ajoelho-me e Te louvo, Rei dos Céus

Na humildade do Teu berço, meu Jesus.

Obrigada pelo Teu infinito amor

Vem fazer nos corações Tua morada,

Rasgar trevas que ensombram nossa noite

Fazer acontecer, radiosa madrugada…

 

 

A toda a família Primos Online

desejo um Santo Natal

Tia Guida

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Segunda-feira, 2 de Outubro de 2006

A Travessia da Serra

Ainda com imagens frescas na minha memória sobre a última Travessia da Serra realizada no dia 23 de Setembro de 2006, decidi contar para os Primos OnLine a história desta “façanha” anual.

Mas, afinal, o que é a “Travessia da Serra” ? Todos os anos logo a seguir às férias um grupo de amigos fazem uma caminhada entre o centro da freguesia de Lagares - Penafiel e o centro da freguesia de Melres - Gondomar através da serra que separa as duas freguesias, popularmente chamada Serra das Cabrias e que pertence à Serra (ou Alto) da Pena Branca, segundo a Carta Militar de Portugal.

Trata-se de uma distância de cerca de 12 km feita por caminhos que, inicialmente, eram apenas trilhas de passagem a pé, muito íngremes e irregulares, usadas pelos mineiros que das freguesias de Lagares e Capela trabalhavam nas minas de carvão do Pejão. freguesia de Pedorido - Castelo de Paiva . A dificuldade deste percurso e as paisagens que nele se podem admirar torna-o muito motivador para todos os que gostam de conviver com a natureza, num ambiente de boa amizade e camaradagem. Porém outros motivos concorrem para que esta “Travessia da Serra” seja gostosamente esperada por um cada vez maior grupo de amigos.

Chegados a Melres, começa a segunda parte do desafio, à volta da mesa, onde todos, em alegre cavaqueira, se deliciam com os pitéus que cada um apresenta, refazendo assim as energias gastas na caminhada. Para muitos representa o encontro anual de grandes amizades onde se põe a “escrita” em dia e se recordam as peripécias e tropelias do tempo de infância e juventude.

Mas como terá começado esta tradição que já vai na terceira geração?

Teremos que recuar à década de 1940 e ao casal Aníbal e Maria Idalina, residente no lugar da Igreja - Lagares, pais do autor desta crónica, ele natural de Lagares e ela natural do Porto, mas residente deste muito pequena em Melres, onde possuía uma casa e uma pequena quinta e muitas amizades. Desde muito cedo, após o casamento da filha, veio viver com este casal a única avó que conheci, Maria José, ficando a sua casa em Melres fechada e a Quinta da Vergadas a ser trabalhada pelos caseiros Snr. António Cruz e Snra. Rosa.

Entretanto foram nascendo os filhos do casal e na altura do verão a minha avó e muitas vezes também a minha mãe, iam passar algum tempo à sua casa de Melres, levando consigo a prole, desde os que já podiam caminhar até àqueles que ainda não andavam ou não aguentavam toda a caminhada.

Nessa altura os meios de transporte eram escassos (anos da e pós II Guerra Mundial) e a ligação por estrada entre Lagares e Melres era muito longa e quase intransitável nalguns pontos. Restava, pois, a solução de ir de Lagares a Melres pelo caminho calcorreado diariamente mineiros, mas que só poucas pessoas conheciam bem. Os inexperientes corriam o risco de se perderem na serra.

Era uma operação logística complexa:

Por bilhete postal ou aproveitando o vaivém dos mineiros os meus pais enviavam um recado aos caseiros pedindo o seu apoio para esta deslocação familiar. Pelo mesmo meio lá vinha a resposta.

Na data marcada os caseiros saíam de madrugada de Melres e, vindo pela serra, chegavam a Lagares de manhã cedo para que o calor não fosse demasiado durante a viagem para Melres. Traziam em cestos alguns mimos da Quinta das Vergadas. Depois de os caseiros “matarem o bicho” com um bom naco de broa e uma isca de bacalhau acompanhados por um copito, estávamos todos prontos para iniciar a ida para Melres há muito esperada pelos mais crescidos, em especial pelo fascínio de ir até ao areio ver o rio e nele molhar os pés. Os meus irmãos mais pequenos lá iniciavam a caminhada a pé, mas ao fim de pouco tempo tinham que ser transportados às “cavalitas” ou então dentro dos cestos que os caseiros tinham trazido…

O ponto culminante do esforço era a subida da Serra da Cabrias, mas chegados lá acima sentíamo-nos orgulhosos do feito e entusiasmados coma paisagem. Em frente às Minas das Banjas, já na descida para o Chão-que-tropia, havia uma gruta onde fazíamos uma paragem para descansar um pouco e comer uma pequena merenda. O resto da caminhada fazia-se sem grande esforço e a recompensa chegava quando do alto das fragas de Vilarinho se avistava pela primeira vez o Rio Douro, curvando vagarosamente no lugar de Santiago.

Os dias de férias em Melres tinham um sabor especial: o rio com o seu grande areal(ou areio, como lhe chamavam), o entrar no barco que fazia a travessia de Melres para a Lomba, a vista do rio da janelas da casa de Melres com os barcos rabelos e barcos rabões (usados para o transporte do carvão das minas do Pejão) de velas enfunadas aparecendo na curva de Santiago, as juntas de bois pisando o areio e “alando” esses mesmos barcos quando não havia vento e rio estava baixo, as pessoas amigas da nossa mãe e avó que nos mimavam, o brincar com os filhos dos caseiros…

Acabadas as férias tínhamos a viagem de regresso feita em moldes semelhantes mas menos custosa pois a Serra das Cabrias era a descer…

Não admira que tudo isto tenha ficado no nosso imaginário de crianças a “puxar” para aquelas recordações.

Tive a sorte de vir a usufruir o reviver de tudo isto ao casar com a tia Guida nascida e criada em Melres, mesmo à berinha do Douro.

Foi, porém, o Tio Zé que deu os primeiros passos naquilo que viria a transformar-se na tradição da Travessia da Serra, recordando as idas a Melres, pela serra, da nossa infância.

Na década de 1970 e, sobretudo, depois do falecimento dos nossos pais (1978), o tio Zé juntamente com o Padre José Coelho Barbosa, grande conhecedor de todos os lugares e caminhos desta zona, e, mais tarde, também com o Padre Leal começaram a fazer caminhadas, algumas das quais até Melres, pela Serra das Cabrias. As recordações da infância começaram a despertar interesse por este último circuito entre os irmãos e outros amigos tendo-se realizado vários vezes durante a década de 1980, aproveitando os dias de férias que o Padre Barbosa passava em Lagares quando o seu trabalho de missionário o permitia.

A partir do início da década de 1990 o número de participantes foi crescendo e passou a tradição a cumprir-se anualmente, chegando a ser de cerca de 40 pessoas o grupo que fazia a Travessia da Serra. A este grupo juntavam-se mais cerca de 20 pessoas que por razões diversas não podiam fazer a caminhada pela serra mas não dispensavam o convívio que se vivia durante a tarde em Melres.

A segunda geração (nossos filhos e sobrinhos - os Primos Online) alinhou nesta tradição e a terceira geração está também a começar a acompanhar a “ferrugem” dos seus tios-avós, nesta aventura. 

 

Para a história fica o quadro com as datas em que se realizou a Travessia desde que o facto começou a ficar registado:

 

Ano

Data

Ano

Data

Ano

Data

1993

12 Junho

1998

Não se fez

2003

27 Setembro

1994

01 Outubro

1999

09 Outubro

2004

18 Setembro

1995

07 Outubro

2000

16 Setembro

2005

08 Outubro

1996

05 Outubro

2001

06 Outubro

2006

23 Setembro

1997

04 Outubro

2002

05 Outubro

 

 

                     

O texto já vai longo e haveria ainda alguns episódios interessantes a relatar. mas vou deixar isso para que os que neles participaram o possam fazer como comentários a esta crónica.

Termino referindo um desses episódios que deu origem ao logótipo do Clube dos Amigos da Travessia da Serra (CATS) há alguns anos informalmente criado.

Com o passar dos anos a geografia da serra e a sua paisagem foi-se modificando, pela pouca utilização das suas trilhas e pelos incêndios florestais que se iam sucedendo. Em cada travessia, era certo que em determinada altura do percurso surgia a dúvida sobre o caminho a seguir e, então, as mais diversas opiniões apareciam, nem sempre se chegando a um consenso, o que levava algumas vezes à fragmentação do grupo e às inevitáveis discussões e estratégias para a sua reunificação.

 

Tio Fernando
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Sábado, 29 de Julho de 2006

Chi vó, non pó

Chi vó, non pó;
chi pó, non vó;
Chi sá, non fá;
chi fá, non sá.
Cosi, male il mondo vá.
(Quem quer, não pode; quem pode, não quer. Quem sabe, não faz; quem faz, não sabe. E, asssim, mal vai o mundo)
 
Provérbio iTALIANO
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Domingo, 16 de Julho de 2006

Nasceu a Maria !!!

SÊ BEM - VINDA, MARIA !!!

 

Sê bem-vinda, pequenina Maria à Cidade dos Homens! Eu digo cidade, mas deveria dizer aldeia global. Tu vais ver como isso funciona e fazer o teu próprio juízo.

Teus pais e tua mana Margarida, esperavam-te cada um à sua maneira: Teus pais, na alegria, transbordando de amor e ansiedade. A Margarida na alegria e na expectativa dessa mana tão esperada e desejada com quem convivia já muito intensamente através das conversas em família.

Como és linda, doce bebé! Por graça de Deus trouxeste, pelo menos a mesma cabeleira farta e preta da tua mãe. Sempre que te olho regresso ao dia 24 de Maio. Obrigada Senhor por este rebuçado!

Também queria dizer-te, que ao olhar-te, me fizestes lembrar a priminha Mafalda que nasceu um pouquinho antes de ti.

Sê bem-vinda, pequenina Maria  aceita a amizade dos que te querem bem, e prepara-te desde já, para veres uns seres muito grandes em relação a ti, que se movimentam num "vai e vem" contínuo, para cá e para lá, sem saberem muito bem para que correm, e qual o seu destino!

Não aceites este "vai e vem" sem sentido, Maria  vem colocar um pouco de sensatez na cidade dos homens, da qual já fazes parte. Que a tua presença irradie paz, ternura alegria,

irradie sabedoria e inteligência, para que sejas simples e tolerante, alegria e para que todos se sintam felizes a teu lado!

 

Despreza todas as formas de viver que tiram dignidade ao ser humano e ama a todos os homens sem distinção, embora  te diga que é difícil.

Que tudo o que fizeres, seja bem feito, mas sem o perfeccionismo que nos torna doentes e tristes.

Sê mulher autêntica usando todos os dons especiais que Deus te concedeu, e marca um lugar no mundo, um lugar diferente, sem ser preciso ser igual ao homem. TU, MULHER,  tens capacidade própria para mudar o mundo.

 

Sê tu, a Maria , brinca muito, sem medo, sem preconceitos, conserva toda a beleza do "Ser" criança pela vida fora, porque tudo o que há de bom está presente no coração e no olhar desse bebé que tu já és! Peço-te que conserves as jóias raras que te foram gratuitamente concedidas pelo Senhor da Vida, peço-te porque te quero muito!

 

Avó Margarida

Porto, 15 de Julho de 2006

Pequeno poema

 

Quando eu nasci,

ficou tudo como estava.

 

Nem homens cortaram veias,

nem o Sol escureceu,

nem houve Estrelas a mais...

Somente,

esquecida das dores,

a minha Mãe sorriu e agradeceu.

 

Quando eu nasci,

não houve nada de novo

senão eu.

 

As nuvens não se espantaram,

não enlouqueceu ninguém...

 

P’ra que o dia fosse enorme,

bastava

toda a ternura que olhava

nos olhos de minha Mãe...

 Sebastião da Gama 

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