Quarta-feira, 31 de Maio de 2006

Postal da Finlândia

 
Não, não vou falar dos almoços, dos jantares e das recepções. Das pessoas importantes que, na Finlândia, são praticamente todas mulheres: a presidente da República, a presidente do Parlamento, a presidente do Supremo Tribunal de Justiça (k linda, meu Deus!), a Ministra da Justiça, a Provedora de Justiça, etc, etc.
Vou descrever o essencial deste país amável, equilibrado e cheio de futuro.
Por alguma coisa está na moda.
O Tio Mário encarregar-se-á, como sempre, dos mapas, da música e de tudo o resto (que é a maior parte) que eu não domino.
A Finlândia (338.145 km quadrados, 190.00 lagos, 100.00 ilhas, 5.220.000 habitantes)  passou mais de 6 séculos sob o domínio sueco.
Foi, depois, um grão-ducado autónomo da Rússia (entre 1809 e 1917)
Só tem, portanto, 90 anos de independência.
É climaticamente um país de extremos. A amplitude térmica pode ultrapassar 80 graus durante o ano. No norte, passa-se mais de 50 dias sem ver o sol, no Inverno, mas, no Verão, o sol não se põe durante 2 meses.
A proporção de estrangeiros é das mais baixas da Europa, o que me foi explicado com o clima e a dificuldade da língua. O finlandês é uma língua que não tem paralelo na Europa, salvo, quanto à complexidade, o húngaro.
Na Finlândia, há duas línguas oficiais: o finlandês e o sueco.
Nas escolas, a aprendizagem de línguas estrangeiras (como, mais recentemente, as novas tecnologias) é uma das chaves do grande sucesso educativo. Ensinam-se, nas escolas, seis línguas estrangeiras.
Não encontrei vivalma que não falasse um inglês perfeito.
Os finlandeses adoram o "sauna".
Um dos nomes mais famosos da arte é o grande compositor Sibelius.
O "ouro verde" da Finlândia era a floresta. Agora são as indústrias de alta tecnologia. Lembram‑se de um portátil chamado Nokia?
Salários:
O salário médio é de 2304 euros por mês. Um empregado de balcão ganha 1554, um motorista de autocarro 2159, um professor 2512, um gerente industrial 4126, um médico 5443.Os top executivos ganha mais…ora, pois…
As horas de trabalho são 37,5 por semana. As férias pagas são 1 mês no Verão e 1 semana no Inverno.
As clínicas de maternidade e de cuidados materno-infantis são gratuitos. O parto custa menos de 100 euros.
O abono de família é, para um menor de 17 anos, entre 100 e 172 euros mensais.
O ensino é gratuito. Ensino obrigatório, 9 anos, secundário 3. No obrigatório, os alunos têm almoço grátis. Não o bife com batatas fritas mas um prato com pasta vitaminada que, pela fotografia, não agradaria, em Portugal, nem ao Menino Jesus.
Todos os finlandeses têm um seguro de saúde. Uma consulta médica custa no máximo 22 euros. A média de uma consulta de odontologia é de 7 euros. Um internamento hospitalar custa 26 euros por dia. A partir de 590 euros de despesas anuais de saúde, tudo é gratuito.
O subsídio de desemprego, durante os primeiros 500 dias, é proporcional ao salário. Para os salários mais baixos é de 90 por cento, para os outros de 60 por cento.
Os pobres (disseram-me que os há) têm um rendimento mínimo de 362 euros. As pessoas com poucos recursos recebem uma ajuda para habitação de 200 euros por mês.
A idade da reforma é de 63 a 68 anos, mas, na prática, as pessoas procuram reformar-se aos 60.
A pensão de reforma é, em geral, de 60 por cento do último salário, na média 1027 euros, com um mínimo de 505 euros.
A segurança social é financiada a 40 por cento pela entidade patronal, a 10 pelos trabalhadores; a parte restante é financiada por impostos nacionais e municipais.
Na Finlândia, há cerca de 400.000 casas de férias: dispersas, sóbrias e de madeira.
Dos meus amigos finlandeses, retenho a sua cultura, capacidade de trabalho e uma simplicidade que raia a timidez. Explicam-me que são assim porque os seus ancestrais viviam isolados, nas ilhas ou nas florestas, e raramente contactavam com o "mundo".
Vale a pena ir à Finlândia? Siiiimmmm…
Um passeio à Lapónia? Porque não?...
Ah, já me esquecia.
Um segredo para os caganitos: o quartel do Pai Natal situa-se exactamente aí, na Lapónia. Uahhh!...
           
Tio Zé

Europa dos 25

música: Valse Triste, Sibelius
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Terça-feira, 30 de Maio de 2006

La Solitude

Je suis d'un autre pays que le vôtre, d'un autre quartier, d'une autre solitude. Je m'invente aujourd'hui des chemins de traverse. Je ne suis plus de chez vous. J'attends des mutants. Biologiquement je m'arrange avec l'idée que je me fais de la biologie : je pisse, j'éjacule, je pleure. Il est de toute première instance que nous façonnions nos idées comme s'il s'agissait d'objets manufacturés. Je suis prêt à vous procurer les moules. Mais...

Sou de um outro país que não o vosso, de outro quarteirão, de outra solidão. Invento-me hoje atalhos. Já não faço parte da vossa casa, estou à espera de mutantes. Biologicamente, acomodo-me com a ideia que faço da biologia: mijo, ejaculo, choro. É fundamental que moldemos as nossas ideias como se tratasse de objectos manufacturados. Estou pronto para vos arranjar os moldes. Mas,...

 

 

la solitude...

a solidão...

 

 

Les moules sont d'une texture nouvelle, je vous avertis. Ils ont été coulés demain matin. Si vous n'avez pas, dès ce jour, le sentiment relatif de votre durée, il est inutile de vous transmettre, il est inutile de regarder devant vous car devant c'est derrière, la nuit c'est le jour. Et...

Os moldes são de uma textura nova, aviso-vos. Foram fundidos amanhã de manhã. Se não tiverdes desde esse dia o sentimento relativo da vossa duração, é inútil olhar à vossa frente porque de frente é por trás, a noite é o dia. E...

 

 

la solitude...

a solidão...

 

 

Il est de toute première instance que les laveries automatiques, au coin des rues, soient aussi imperturbables que les feux d'arrêt ou de voie libre. Les flics du détersif vous indiqueront la case où il vous sera loisible de laver ce que vous croyez être votre conscience et qui n'est qu'une dépendance de l'ordinateur neurophile qui vous sert de cerveau. Et pourtant...

È fundamental que as lavandarias automáticas, à esquina das ruas, permaneçam tão imperturbáveis como os sinais vermelhos ou verdes.
Os “chuis” do detergente indicar-vos-ão o compartimento onde vos será permitido lavar o que credes ser a vossa consciência e que não passa de uma dependência do computador neurófilo que vos serve de cérebro. E, apesar disso,...

 

 

la solitude...

a solidão...

 

 

Le désespoir est une forme supérieure de la critique. Pour le moment, nous l'appellerons "bonheur", les mots que vous employez n'étant plus "les mots", mais une sorte de conduit à travers lequel les analphabètes se font bonne conscience. Mais...

O desespero é uma forma superior da crítica. De momento, chamá-la-emos de “felicidade”, as palavras que empregais já não são “as palavras”, mas uma espécie de canal através do qual, os analfabetos se mantêm de consciência tranquila. Mas...

 

 

la solitude...

la solitude...

 

 

Le Code civil nous en parlerons plus tard. Pour le moment, je voudrais codifier l'incodifiable. Je voudrais mesurer vos danaïdes démocraties. Je voudrais m'insérer dans le vide absolu et devenir le non-dit, le non-avenu, le non-vierge par manque de lucidité. La lucidité se tient dans mon froc.

Leo Ferre,  La Solitude (1916 – 1993)
Do Código civil falaremos mais tarde. De momento, queria codificar o incodificável. Queria medir as vossas democracias impossíveis. Queria inserir-me no vazio absoluto e tornar-me o não dito, o não acontecido, o não virgem por falta de lucidez. A lucidez agarra-se às minhas calças …
   
   
   
música: La Solitude, Léo Ferré
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Sábado, 27 de Maio de 2006

Crónicas do Luxemburgo - IX

Uma comunhão solene há sessenta anos
 
A comunhão solene era um verdadeiro rito de passagem.
Os miúdos tinham feito a terceira ou a quarta classe (a quarta não era obrigatória) e preparavam-se para o ofício ou para assumirem, a tempo inteiro, as tarefas agrícolas ou domésticas que conheciam de tenra idade.
A comunhão solene era o momento da largada.
Realizava-se no verão, de dois em dois anos, e obedecia a cânones bem estabelecidos.
Um mês antes, começavam os ensaios, comummente conhecidos por "cerimónias".
As catequistas davam as últimas ensaboadelas, recuperavam os relapsos e mandavam recados aos pais.
Os "enorminhos" (atrasados mentais) não faziam a comunhão. Um ou outro candidato sem aproveitamento era "adiado" para a comunhão solene seguinte.
As "cerimónias" decorriam ao fim da tarde e eram momentos inesquecíveis.
Padre Zé oscilava entre a bonomia e o ralhete.
Normalmente estava de bom humor e falava do mundo. Contava o que os franceses pensavam de Portugal (ele sabia, pois tinha falado, no Porto, com um grupo de franceses) até à razão de ser do nome do mar mediterrâneo.
Se queria pôr em destaque uma ideia, fazia uma citação em latim. Mas, logo adiantava:
"Não estais a perceber nada, pois não?"
Raramente fazia perguntas sobre "doutrina", o que punha os comungantes à vontade, depois das ameaças que as catequistas tinham feito sobre o rigor e o grau de exigência do Senhor Abade.
Era normal uma ou outra resposta descabida e a ocorrência de trapalhadas. Quando as coisas descambavam com graça, Padre Zé mancomunava-se facilmente com os perturbadores da ordem, para escândalo e desespero das beatas.
As "cerimónias" eram fiéis à tradição.
Primeiramente, testava-se a voz dos oradores e o ouvido dos solistas.
Depois, iniciavam-se os ensaios propriamente ditos.
Padre Zé postava-se junto aos "oradores", com o texto na mão, e corrigia a dicção, a pontuação, o olhar e os gestos.
No caso dos cantores, tirava o lamiré do bolso da batina, dava o tom e abanava, pessimista, com a cabeça quando o solista era duro de ouvido. Se estava perante um dotado, Padre Zé não resistia a acompanhá-lo, em segunda voz, com um sorriso de satisfação.
Padre Zé tinha sentido prático e guardava os conteúdos de uns anos para os outros.
"As pombinhas da seara" era o título de uma melodia ingénua que normalmente constava do programa.
No entanto, o verdadeiro calcanhar de Aquiles das "cerimónias" eram as cenas dos "perdões". Não havendo a responsabilidade do dia da festa nem estando presentes todos os protagonistas, a canalha aproveitava-se.
Havia quatro "perdões": aos companheiros (as crianças umas às outras), ao povo, aos pais e padrinhos e ao pároco.
No "perdão aos companheiros", os comungantes formavam duas alas, orientadas no sentido do altar-mor, e, quando Padre Zé dava uma palmada, viravam-se uns para os outros. À segunda palmada, cada um avançava um pouco, punha as mãos sobre os ombros do colega que estava à sua frente e dizia:
"Perdão companheiro!".
Ora, os mais malandros não perdiam a oportunidade. Olhavam de soslaio para ver se a catequista estava alerta e, com as mãos sobre os ombros do "companheiro", mandavam uma canelada ao desgraçado que gemia quando não mesmo se atirava para o chão.
O "perdão ao povo" resumia-se a um curto discurso.
Ensaiava-se, depois, o "perdão aos pais e padrinhos" e "o perdão ao pároco".
Padre Zé sentava-se num cadeirão, colocado no transepto, e cada criança aproximava‑se, ajoelhava-se e pedia:
"Perdão e bênção!".
O guião estabelecia que Padre Zé estendesse a mão para que a criança a beijasse mas… ensaio era ensaio. Padre Zé ria-se, fazia comentários, esfregava carinhosamente a cabeça do puto ou dava-lhe uma estalada leve e amiga.
As beatas suspiravam, como quem diz:
"Assim não vamos a lado nenhum!".
Vinha o dia da festa.
Padre Zé conhecia a comunidade e interpretava as situações com sabedoria e simplicidade.
Havia duas missas. A primeira, às sete e meia/oito horas, em que se ministrava a comunhão; a segunda ("missa de festa"), às dez/onze horas.
Padre Zé explicava as razões desta dualidade.
A primeira razão era que os miúdos, particularmente os anjinhos, não podiam estar em jejum até muito tarde. Por isso, terminada a missa da manhã, deslocavam‑se, em cortejo, até à residência paroquial, em cujos acessos era servido o pequeno‑almoço.
A segunda razão era que, se a criançada fosse deixada à solta até à hora da "missa de festa", o mais certo era aparecer com os vestidos, as camisas e as asas infestados de nódoas de vinho.
A missa de festa era longa, cantada em latim e aparatosa (três celebrantes, o pregador, o mestre de cerimónias, o turibulário, o sacristão e acompanhamento a grande instrumental).
O sermão e os discursos tinham a retórica daqueles tempos.
No perdão aos pais e padrinhos, era recorrente o tema da orfandade porque, entre cinquenta ou sessenta crianças, havia uma ou outra que tinham perdido os pais. O pregador apelava o mais que podia à emoção dos presentes. Enquanto os pais e os padrinhos desciam pelo centro da igreja para beijarem os seus comungantes, a banda de música executava, e repetia as vezes que fosse preciso, o "largo" de Haendel.
O povo chorava convulsivamente.
De tal maneira, que Padre Zé, a certa altura, tinha de pedir, compungido, que enxugassem as lágrimas.
Quando estava presente, Padre Firmino era mais incisivo:
"Acabai com o berreiro para passarmos ao perdão seguinte!".
À tarde, era a procissão.
Os fatos, os vestidos e as indumentárias tinham sido aliviados de uma ou outra nódoa, as opas e os estandartes estavam no seu sítio, a banda de música a postos e a estrada sinalizada com verdes.
Saia a procissão.
Os comungantes formavam uma fila que avançava lentamente junto a cada uma das bermas.
Os anjinhos deviam ocupar o centro. "Deviam", porque residia aqui um dos quebra-cabeças da organização: manter os anjos no centro da estrada. Pela sua pouca idade, por distracção ou porque os parentes chamavam por eles, os anjos pareciam ter horror à linha recta. Tendiam para a ordem dispersa e exasperavam quem mandava, não obstante haver catequistas por perto para responder a qualquer urgência.
A procissão ia até ao cruzeiro das Portelas e regressava.
Quando recolhia, os comungantes entristeciam-se porque estava a chegar ao fim "o dia mais feliz das suas vidas".
É o que lhes tinha assegurado o pregador, no sermão da manhã, a propósito da vida de Napoleão (todos os pregadores utilizavam este exemplo) e da resposta que este dera quando lhe tinham perguntado qual o dia mais feliz da sua vida: o do ingresso na escola?... o do primeiro dinheiro?...o da vitória em Austerlitz…o….(o número de hipóteses dependia dos minutos que era necessário entreter).
A resposta do indómito general que o pregador, após uma pausa, proclamava com ênfase e que todos conheciam de comunhões anteriores (em Lagares ou fora) era:
"O dia da minha comunhão solene!"
Chegava a hora da alocução final.
Padre Zé dava os parabéns a todos, comentava uma ou outra fífia sem importância e não recusava uma piada a um apontamento que a merecesse. De seguida, tomava um ar grave para falar do futuro dos comungantes: da vida, da morte e da graça.
Era neste ponto que Padre Zé recordava que, daquele grupo de comungantes, o Senhor viria provavelmente buscar alguém.
E era verdade. As taxas de mortalidade infantil eram muito elevadas e sempre acontecia que, antes da puberdade, um ou outro partia.
Devo confessar que este epílogo da festa me arrepiava.
E que, quando foi a minha vez, não me esqueci de pedir a Deus Nosso Senhor que Se lembrasse de mim.
O que quer dizer: que não Se lembrasse de mim…
 
 
Tio Zé
música: Otche Nash, The Great Voices of Bulgaria
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Quinta-feira, 25 de Maio de 2006

Ne me quitte pas

Ne me quitte pas
Il faut oublier
Tout peut s'oublier
Qui s'enfuit déjà
Oublier le temps
Des malentendus
Et le temps perdu
A savoir comment
Oublier ces heures
Qui tuaient parfois
A coups de pourquoi
Le cœur du bonheur
Ne me quitte pas
Ne me quitte pas
Ne me quitte pas
Ne me quitte pas

Moi je t'offrirai
Des perles de pluie
Venues de pays
Où il ne pleut pas
Je creuserai la terre
Jusqu'après ma mort
Pour couvrir ton corps
D'or et de lumière
Je ferai un domaine
Où l'amour sera roi
Où l'amour sera loi
Où tu seras reine
Ne me quitte pas
Ne me quitte pas
Ne me quitte pas
Ne me quitte pas

Ne me quitte pas
Je t'inventerai
Des mots insensés
Que tu comprendras
Je te parlerai
De ces amants-là
Qui ont vu deux fois
Leurs cœurs s'embraser
Je te raconterai
L'histoire de ce roi
Mort de n'avoir pas
Pu te rencontrer
Ne me quitte pas
Ne me quitte pas
Ne me quitte pas
Ne me quitte pas

On a vu souvent
Rejaillir le feu
D'un ancien volcan
Qu'on croyait trop vieux
Il est paraît-il
Des terres brûlées
Donnant plus de blé
Qu'un meilleur avril
Et quand vient le soir
Pour qu'un ciel flamboie
Le rouge et le noir
Ne s'épousent-ils pas
Ne me quitte pas
Ne me quitte pas
Ne me quitte pas
Ne me quitte pas

Ne me quitte pas
Je ne vais plus pleurer
Je ne vais plus parler
Je me cacherai là
A te regarder
Danser et sourire
Et à t'écouter
Chanter et puis rire
Laisse-moi devenir
L'ombre de ton ombre
L'ombre de ta main
L'ombre de ton chien
Ne me quitte pas
Ne me quitte pas
Ne me quitte pas
Ne me quitte pas.

Jacques Brel   1959

 


 

 

música: Ne me quitte pas, Jacques Brel
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Quarta-feira, 24 de Maio de 2006

Caixa de Pandora XIII

Já disse que o bebé é meu!...

  

 

Não chora, não, meu amor!...

    

    

Está bem. está bem. Eu é que sei....

   

   

Debruçados sobre o Douro, nas Fontaínhas

 

Que saudades das minhas caganitas!...

Tio Mário

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Terça-feira, 23 de Maio de 2006

Cruzou por mim, veio ter comigo, numa rua da Baixa

 
Cruzou por mim, veio ter comigo, numa rua da Baixa 
Aquele homem mal vestido, pedinte por profissão que se lhe vê na cara, 
Que simpatiza comigo e eu simpatizo com ele; 
E reciprocamente, num gesto largo, transbordante, dei-lhe tudo quanto tinha 
(Excepto, naturalmente, o que estava na algibeira onde trago mais dinheiro: 
Não sou parvo nem romancista russo, aplicado, 
E romantismo, sim, mas devagar...). 
Sinto uma simpatia por essa gente toda, 
Sobretudo quando não merece simpatia. 
Sim, eu sou também vadio e pedinte, 
E sou-o também por minha culpa. 
Ser vadio e pedinte não é ser vadio e pedinte: 
É estar ao lado da escala social, 
É não ser adaptável às normas da vida, 
Às normas reais ou sentimentais da vida - 
Não ser Juiz do Supremo, empregado certo, prostituta, 
Não ser pobre a valer, operário explorado, 
Não ser doente de uma doença incurável, 
Não ser sedento da justiça, ou capitão de cavalaria, 
Não ser, enfim, aquelas pessoas sociais dos novelistas 
Que se fartam de letras porque tem razão para chorar lágrimas, 
E se revoltam contra a vida social porque tem razão para isso supor. 
 
Não: tudo menos ter razão! 
Tudo menos importar-se com a humanidade! 
Tudo menos ceder ao humanitarismo! 
De que serve uma sensação se há uma razão exterior a ela? 
 
Sim, ser vadio e pedinte, como eu sou, 
Não é ser vadio e pedinte, o que é corrente: 
Éser isolado na alma, e isso é que é ser vadio, 
É ter que pedir aos dias que passem, e nos deixem, e isso é que é ser pedinte. 
 
Tudo o mais é estúpido como um Dostoiewski ou um Gorki. 
Tudo o mais é ter fome ou não ter o que vestir. 
E, mesmo que isso aconteça, isso acontece a tanta gente 
Que nem vale a pena ter pena da gente a quem isso acontece. 
 
Sou vadio e pedinte a valer, isto é, no sentido translato, 
E estou-me rebolando numa grande caridade por mim. 
 
Coitado do Álvaro de Campos! 
Tão isolado na vida! Tão deprimido nas sensações! 
Coitado dele, enfiado na poltrona da sua melancolia! 
Coitado dele, que com lágrimas (autênticas) nos olhos, 
Deu hoje, num gesto largo, liberal e moscovita, 
Tudo quanto tinha, na algibeira em que tinha olhos tristes por profissão 
 
Coitado do Álvaro de Campos, com quem ninguém se importa! 
Coitado dele que tem tanta pena de si mesmo! 
 
E, sim, coitado dele! 
Mais coitado dele que de muitos que são vadios e vadiam, 
Que são pedintes e pedem, 
Porque a alma humana é um abismo. 
 
Eu é que sei. Coitado dele! 
Que bom poder-me revoltar num comício dentro de minha alma! 
 
Mas até nem parvo sou! 
Nem tenho a defesa de poder ter opiniões sociais. 
Não tenho, mesmo, defesa nenhuma: sou lúcido. 
 
Não me queiram converter a convicção: sou lúcido! 
 
Já disse: sou lúcido. 
Nada de estéticas com coração: sou lúcido. 
Merda! Sou lúcido.
                   
Álvaro de Campos (1890 - 1935)
   

Quinta do Covelo - Cidade do Porto

 

 

Ponte de D.ª Maria - Cidade do Porto

 

 Fotografias de João Manuel Tavares Martins

 
música: Mantra 24'-44' Karlheinz Stockhausen
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Domingo, 21 de Maio de 2006

Shakespeare on blog

"Depois de algum tempo aprendes a diferença, a subtil diferença entre dar a mão e acorrentar uma alma.
E aprendes que amar não significa apoiar-se, e que companhia nem sempre significa segurança. E começas a aprender que beijos não são contratos e presentes não são promessas.
Acabas por aceitar as derrotas com a cabeça erguida e olhos adiante, com a graça de um adulto e não com a tristeza de uma criança.
E aprendes a construir todas as tuas estradas de hoje, porque o terreno do amanhã é incerto demais para os planos, e o futuro tem o costume de cair em meio ao vão.
Depois de algum tempo aprendes que o sol queima se te expuseres a ele por muito tempo.
Aprendes que não importa o quanto tu te importas, simplesmente porque algumas pessoas não se importam... E aceitas que apesar da bondade que reside numa pessoa, ela poderá ferir-te de vez em quando e precisas perdoá-la por isso.
Aprendes que falar pode aliviar dores emocionais.
Descobres que se leva anos para se construir a confiança e apenas segundos para destruí-la, e que poderás fazer coisas das quais te arrependerás para o resto da vida.
Aprendes que verdadeiras amizades continuam a crescer mesmo a longas distâncias. E o que importa não é o que tens na vida, mas quem tens na vida. E que bons amigos são a família que nos permitiram escolher.
Aprendes que não temos que mudar de amigos se compreendemos que os amigos mudam, percebes que o teu melhor amigo e tu podem fazer qualquer coisa, ou nada, e terem bons momentos juntos.
Descobres que as pessoas com quem tu mais te importas são tiradas da tua vida muito depressa, por isso devemos sempre despedir-nos das pessoas que amamos com palavras amorosas, pode ser a última vez que as vejamos.
Aprendes que as circunstâncias e os ambientes têm influência sobre nós, mas nós somos responsáveis por nós mesmos.
Começas a aprender que não te deves comparar com os outros, mas com o melhor que podes ser.
Descobres que se leva muito tempo para se tornar a pessoa que se quer ser, e que o tempo é curto.
Aprendes que, ou controlas os teus actos ou eles te controlarão e que ser flexível nem sempre significa ser fraco ou não ter personalidade, pois não importa quão delicada e frágil seja uma situação, existem sempre os dois lados.
Aprendes que heróis são pessoas que fizeram o que era necessário fazer enfrentando as consequências.
Aprendes que paciência requer muita prática.
Descobres que algumas vezes a pessoa que esperas que te empurre, quando cais, é uma das poucas que te ajuda a levantar.
Aprendes que maturidade tem mais a ver com os tipos de experiência que tiveste e o que aprendeste com elas do que com quantos aniversários já comemoraste.
Aprendes que há mais dos teus pais em ti do que supunhas.
Aprendes que nunca se deve dizer a uma criança que sonhos são disparates. Poucas coisas são tão humilhantes e seria uma tragédia se ela acreditasse nisso...
Aprendes que quando estás com raiva tens o direito de estar com raiva, mas isso não te dá o direito de ser cruel.
Descobres que só porque alguém não te ama da forma que desejas, não significa que esse alguém não te ama com tudo o que pode, pois existem pessoas que nos amam, mas simplesmente não sabem como demonstrar ou viver isso.
Aprendes que nem sempre é suficiente ser perdoado por alguém, algumas vezes tens que aprender a perdoar-te a ti mesmo.
Aprendes que com a mesma severidade com que julgas, poderás ser em algum momento condenado.
Aprendes que não importa em quantos pedaços o teu coração foi partido, o mundo não pára para que tu o consertes.
Aprendes que o tempo não é algo que possa voltar para trás. Portanto, planta o teu jardim e decora a tua alma, ao invés de esperares que alguém te traga flores.
E aprendes que realmente podes suportar mais... que és realmente forte, e que podes ir muito mais longe depois de pensar que não se pode mais. E que realmente a vida tem valor e que tu tens valor diante da vida!
As nossas dádivas são traidoras e fazem-nos perder o bem que poderíamos conquistar, se não fosse o medo de tentar."
 
William Shakespeare
Queridos tios e primos,
Aqui fica um texto que me diz muito.
Ainda temos muito que aprender e talvez não consigamos aprender tudo, mas crescer é isso mesmo... Que o texto seja inspirador e uma homenagem a tanto o que nos podem dar e nos  têm dado os nossos "marretas" (a expressão é do Tio Mário...).
Muitos beijos.
Paula
música: Whiter Shade of Pale - Procol Harum / The Shadows
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Sexta-feira, 19 de Maio de 2006

Crónicas do Luxemburgo - VIII

 
EU, HERÓI
 
 
 Em 1975, no ciclo quente da Revolução, fui parar a Lisboa e vivi situações espantosas de um tempo sem regras nem leis nem necessidade delas.
Mas a história não é essa.
Uns meses mais tarde, o Ministro Almeida Santos presidia a uma reunião em que se encontrava também o Procurador-Geral da República, Conselheiro Pinheiro Farinha, e cerca de duas dúzias de magistrados.
Depois de uma tarde de discussões, com algumas ideias e muitas teses estapafúrdias, o Ministro deu os trabalhos por encerrados e virou-se para mim (que me acabava de conhecer) com uma ordem que, como é seu timbre, parecia um pedido:
"Gostaria de o ver no meu gabinete amanhã às 9 horas".
Fiquei perplexo e lá fui.
Comunicou-me que, a partir daquele dia, passaria a trabalhar com ele na reforma do sistema judicial. Balbuciei desculpas esfarrapadas, argumentei que morava no Porto, protestei que havia outros melhor posicionados, rematei que nem sequer tinha posto o problema ao Procurador-Geral da República.
De nada valeu. Foi o começo de uma colaboração de que guardo grata memória.
O Dr. Almeida Santos preocupava-se constantemente com o facto de eu não exigir, não pedir nem aceitar nada.
Uma bela manhã chamou-me, meteu-me um bilhete de avião na mão e disse-me:
"Você anda cansado, é um especialista na matéria (o que era pura fantasia!) e é um favor que me faz deslocar-se a Estocolmo para participar neste congresso sobre a pena de morte.
E lá fui eu, com duas mudas de roupa que tinha trazido do Porto e a indicação de que o Embaixador em Estocolmo me adiantaria as ajudas de custo.
O pior foi quando vi o buraco em que me tinha metido.
Nessa altura, a Suécia era o refúgio de tudo o que era exilado político e o grande patrono dos mais variados movimentos emancipalistas.
Todos os grandes, da Líbia, ao Sara, à Palestina e ao Curdistão, estavam lá.
No almoço do primeiro dia, tive a sorte (assim me parecia) de ficar sentado em frente de um espanhol.
Apresentámo-nos, ele pediu-me para eu repetir o meu nome e quando retribui a cortesia, apontou solenemente para o peito onde tinha uma tarjeta que dizia:
Sanchez (penso que era este o seu nome).
E em subtítulo: "Condenado dos veces a muerte por Franco!"
Fiz um ar de espanto e ele perguntou, curioso:
"E tu, camarada?".
Ora, eu…que podia dizer?
Disse a verdade. Que era um simples técnico de leis, apanhado à má fila e sem saber ao que vinha…
O espanhol olhou-me de cima para baixo, de baixo para cima, sorriu com cepticismo e incredulidade, meneou lentamente a cabeça e, com ar de profundo respeito e admiração, observou, pontuando cada palavra:
"Comprendo-te, camarada! Non quieres hablar de tus hechos!
E, nos restantes dias do congresso, quando nos cruzávamos, curvava-se respeitosamente e saudava-me, com a veneração com que se homenageia o soldado desconhecido.
            
Tio Zé
música: Soledad Bravo - Hasta siempre Comandante Che Guevara
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publicado por Guri Guri às 17:45
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Quinta-feira, 18 de Maio de 2006

Os salões dourados das Filarmónicas Vienenses

Os comentários que têm sido escritos, deixam-me, por vezes, sem jeito.
Ele é “a técnica de som e efeitos sonoros”, ele são “as novas tecnologias”, ele é o “não sei onde este Blog irá parar”, ele é até “um canal de televisão da família”...
 
Ah! Se soubessem os arames com que está construído este mundo de fantasia!
E se soubessem o sofrimento nele encerrado!...
Vá. Deixem-se de elogiar as minhas capacidades técnicas. Não fico feliz por isso.
O meu sonho está para além das habilidades circenses que possa ou saiba exibir.
Não me quero iludir, nem ser iludido. A técnica sem paixão, engenho e arte não é nada. Mas, má sina a minha. O que me sobra em paixão, falta-me em "engenho e arte".
E, apesar disso, todos os dias fico deslumbrado com os seus segredos.
Ponho-me a imaginar o que faria com eles um Bach, um Mozart e tantos outros, Santo Deus. E mesmo eles, no seu tempo, não passaram de criados bem pagos para entreterem os seus senhores. Sucediam-se as vénias, as lisonjas o embasbacamento perante o seu virtuosismo, mas a beleza da suas obras era-lhes, o mais das vezes, completamente indiferente.
 
Duzentos e tal anos depois, nada se modificou.
 
A Igreja da Lapa estava cheia.
Nas filas da frente, as peles do costume. Os beija-mãos. Os focos da televisão. Os sorrisos de encomenda. Os “faça favor colega, por quem é?” Os “venha cá, Lili, dar um beijo ao Sr. Doutor”
 
Numa das bancadas laterais construídas para o efeito, um jovem, dos seus vinte e poucos anos, lia com ar compenetrado o folheto que lhe tinha sido distribuído à entrada.
 
Na zona do altar-mor perfilavam-se o coro e a orquestra.
 
As luzes da nave central apagaram-se. Por momentos as pessoas mexeram-se e tossiram nervosas, enquanto se faziam ouvir, ao sinal do primeiro violino, os sons aparentemente desconexos da orquestra à procura da afinação.
O maestro entrou em cena.
Houve palmas.
Fez-se silêncio.
A um gesto do maestro, a orquestra atacou o Introitus do Requiem de Mozart, imediatamente seguida pelo coro. Sucederam-se-lhe, como descrito no folheto, o
 
II - Kyrie
III. Sequentia
1 - Dies irae
2 - Tuba mirum
3 - Rex tremendae
4 - Recordare
5 – Confutatis
6 – Lacrimosa
IV. Offertorium
1 - Domine Jesu Christe
2 - Hostias
V. Sanctus
VI. Benedictus
VII. Agnus Dei
VIII. Communio
 
Só tomou consciência de si quando irromperam os aplausos.
 
De novo o mesmo corrupio do início, as mesmas peles a agitarem-se, os mesmos beija-mãos e todos os salamaleques costumeiros.
 
- Os meus parabéns, Monsenhor António. O concerto foi divinal. Não fosse o senhor e esta cidade seria um deserto cultural. Aproveitei para lhe trazer o cheque para a compra do novo órgão. Ao que oiço dizer, vai ser o maior da Europa. É pena que não tenhamos gente para o tocar. Mas que vai causar inveja, lá isso vai.
 
- Ó Lili faz um adeus à câmara.
 
- Então por cá colega?! Nem sabe como tenho saudades dos tempos em que ia com a Quicas aos Festivais de Salzburgo. Mas agora sou um homem de negócios e, como compreende, não se pode brincar com milhões...
 
- Para ser sincero, colega, eu até passei pelas brasas. Mas se não venho, ainda vão dizer no partido que sou um segundo .... (e cochichou-lhe qualquer coisa ao ouvido). Sabe de quem estou a falar...
 
A Igreja começava a ficar vazia. Olhei para o lado.
 
O mesmo jovem continuava sentado, absorto. Estranhamente o requiem trazia-lhe uma paz interior que nenhum xanax lhe poderia dar. Era vida e não morte o que sentia.
 
Só então compreendi que o coro e a orquestra tinham estado a actuar para uma só pessoa.
 
Saí sorrateiramente. Não queria ser visto. Sentia-me diferente, embora igual a todos eles.
  
Esta cena havia de repetir-se, anos mais tarde, em Viena de Áustria, embora, de forma diferente, como irão ver.
 
Estava eu em trabalho. O colega que me acompanhava queria aproveitar a oportunidade para ir ver a actuação da Escola de Equitação Espanhola. Ora eu, que nunca fui entendido nas artes equestres, nem acho os cavalos particularmente inteligentes, comecei por não aceder ao seu convite. Irritava-me ver aqueles animais, de porte imponente e soberbo, a obedecer às ordens duns imbecis, quando poderiam resolver o assunto de uma só assentada, com um par de coices bem mandados.
 
Inteligentes são os burros. Inteligentes, e com personalidade. O primeiro que os puser a saltar obstáculos num hipódromo, ou a dançar ao som de uma fanfarra, vai receber o prémio Nobel da imbecilidade humana.
 
Como dizia eu, o problema estava em acompanhar, ou não, o meu colega à Escola de Equitação Espanhola.
 
De repente fez-se luz.
 
- Ó Zé, eu vou ver os cavalos, se tu amanhã me acompanhares à sala de concertos da Filarmónica de Viena.
 
- Negócio fechado
 
E lá partimos os dois para a Escola de Equitação.
 
Foram 2 horas de sofrimento para mim e penso que para os cavalos também.
 
Tudo certo. Certo demais até. Nem um pinote, nem um coice que pusesse a ilustre assistência em alvoroço e o picadeiro de pantanas. Pobres bichos. Bem mais tratados e felizes eram os cavalos selvagens do Gerês.
Mas eu tinha que merecer o concerto do dia seguinte.
 
Eram 7 horas da tarde. Magotes de rapazes e raparigas de calças de ganga, alguns deles com sacos de plástico na mão, iam entrando para a sala de concertos. Eu e o meu colega, encafuados nos nossos fatos de executivos, destoávamos nitidamente. “- Mas que diabo, pensava eu. Não é todos os dias que se vem a uma sala de concertos destas”. Até uma camisa nova comprei para o efeito.
 
Entrámos. Fiquei embasbacado a olhar para a sala dourada e a pensar no meu íntimo: “Quando a Televisão transmitir o próximo Concerto de Ano Novo vou poder dizer: - Já estive nessa sala”. E antevia com gozo indisfarçável a cena do meu interlocutor a encolher-se todo, perante tão refinado "connaiseur".
 
Saí com a expressão do habitué destes locais de culto. Olhei ao meu redor e vi os mesmos magotes de rapazes e raparigas a dispersarem-se pelas ruas da cidade com o ar mais natural deste mundo.
 
Só então compreendi que, desta feita, a orquestra tinha estado tocar para todos, menos para mim.
 
Regressei ao hotel. Senti-me envergonhado e diferente de todos os outros. Agora por razões opostas.
 
Melhor ser um ouvinte apaixonado, num qualquer lugar perdido no mundo, do que um connaiseur pesporrente, num salão dourado de uma qualquer Filarmónica Vienense.
  
Com um beijo muito especial para os caganitos
     
Tio Mário
 
 
música: Johann Strauss,Radetzky Marsch,Karajan&Wiener Philharmonike
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publicado por Guri Guri às 18:00
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É urgente o amor

É urgente o amor.
É urgente um barco no mar.

É urgente destruir certas
palavras,
Ódio, solidão e crueldade,
Alguns lamentos,
Muitas espadas.

É urgente inventar alegria,
Multiplicar os beijos, as searas,
É urgente descobrir rosas e rios
E manhãs claras.

Cai o silêncio nos ombros e a luz
Impura, até doer.
    
É urgente o amor, é urgente
permanecer.

 
Eugénio de Andrade (1923-2005)
  
  

A agonia de uma traineira

  

     

  

 

Sol e maresia

  

 

 

  

O farol

  

 

 

Zona da Foz - Cidade do Porto

Fotografias de João Manuel Tavares Martins

   

música: Albinoni, Tomaso (1671-1751) - Adagio
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