Terça-feira, 27 de Junho de 2006

A minha estreia na Kreidler

Para os primos mais novos “Kreidler”, certamente, não lhes diz muito, mas para os tios Fernando, Zé, Mário e até para as tias Zinha e Tátá, este nome lembrar-lhes-á a bicicleta motorizada que o Paizinho  (avô Aníbal)  comprou  lá  pelo início dos anos 50.

Nessa altura foi uma grande evolução nos meios de transporte da família, pois o único que existia era uma velha “pasteleira” (assim se chamava às bicicletas de pedal, mais pesadas, sem mudanças e com o guiador em forma de rabiça de arado). Diga-se de passagem, que o Paizinho, em solteiro, já tinha tido um cavalo e uma pequena moto que não chegamos a conhecer.

A velha bicicleta era usada pelo Paizinho para ir, uma ou duas vezes por semana, a Penafiel pagar aos fornecedores e trazer alguma mercadoria mais necessária para a loja.

Cada viagem representava cerca de 30 km e o Paizinho já ia a caminho dos sessenta anos!!

Como admiro, agora, a sua resistência física e a sua força de vontade ao relembrar a sua chegada de Penafiel, muito suado, a descansar um pouco, bebendo um refresco de água com umas gotas de aguardente adoçada com açúcar amarelo, ou comendo uma boa talhada de melancia!

Mas não era o Paizinho o único utilizador da bicicleta. Um pouco às escondidas, mas com consentimento tácito, os tios Fernando e Zé iam, primeiro, aprendendo e, depois, dando as suas voltas na dita. Eram frequentes as quedas que, normalmente, davam origem a avarias. Algumas vezes os “criminosos” conseguiam repará-las, outras eram motivo de grandes ralhadelas e consumições quando o Paizinho pegava na bicicleta para sair e ela não estava em condições: “porco sujo, estragaram-me outra vez a bicicleta”, era a expressão mais comum.

Mas voltemos à nossa história. Um dia, grande foi a nossa admiração e alegria ao ver chegar o Paizinho montado numa bicicleta motorizada, a Kreidler.

Era uma “máquina” de 50 cc, ainda com pedais para auxiliar nas subidas mais íngremes, com duas velocidades e era alemã…(nesse tempo os produtos alemães eram considerados sempre de melhor qualidade).

A partir daí as atenções da rapaziada da família voltaram-se para a Kreidler. Sempre que o Paizinho saía, lá estávamos nós de olhos bem atentos para ver como tudo funcionava. Lentamente a curiosidade foi dando lugar a algumas investidas, a começar por tirar a Kreidler do descanso e levá-la, à mão, até à estrada onde esperávamos a chegada do condutor. Uns tempos depois, uma vez na estrada, e como a dita tinha pedais, já o tio Fernando e o tio Zé davam uma pequena volta na estrada, em frente da loja, enquanto não chegava a hora da partida. Mas a tentação era muito grande de pôr a Kreidler a trabalhar. Até que um dia o tio Fernando combinou com o tio Zé: “Vamos dar a nossa volta do costume com os pedais e contigo a empurrar, também. Quando o Paizinho aparecer, tu dás um empurrão mais forte e eu solto o embraiagem…”.

Assim aconteceu numa bela manhã em que o Paizinho se preparava para sair para Penafiel. Quando ele chegou ao portão, íamos nós a passar na sua frente: então, o combinado empurrão mais forte actuou, a embraiagem foi solta e a Kreidler começou a trabalhar levando o tio Fernando, muito senhor do seu papel, a dar uma volta à igreja e voltar, parando em frente do Paizinho com a “máquina” a trabalhar. Recordo o cara do meu Pai, meio zangado, pela desobediência, e meio orgulhoso pela “habilidade” do filho. Desta vez nem ralhadela houve.

Porém esta ousadia teve um bom preço. A partir daí o tio Fernando passou a fazer “recados” com a Kreidler: Era ir buscar farinha a Casconha quando ela faltava na padaria, era ir a Cête pagar uma letra à Casa Facas, era ir dar um recado a um músico, à Capela, para que não faltasse na festa do domingo seguinte.

Não posso deixar de dizer que pagava todo este preço com grande prazer.

A Kreidler teve uma longa vida, recebeu um assento amovível para um segundo passageiro, onde as tias Zinha e Tátá andaram várias vezes.

Foi envelhecendo e acabou por ser destronada, já no fim da década, pelo aparecimento do novo meio de transporte da família, o automóvel Austin A70    (OS-13-97), comprado em segunda mão. Avariou sem conserto e ficou parada muito tempo, até que se aproveitaram as suas rodas para um carro de transporte manual de botijas de gás...

Que boa recordação eu tenho da Kreidler!                                 

 

Tio Fernando

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Quinta-feira, 22 de Junho de 2006

A Moleirinha

 
Pela estrada plana, toc, toc, toc,
Guia o jumentinho uma velhinha errante
Como vão ligeiros, ambos a reboque,
Antes que anoiteça, toc, toc, toc
A velhinha atrás, o jumentinho adiante!...
 
Toc, toc, a velha vai para o moinho,
Tem oitenta anos, bem bonito rol!...
E contudo alegre como um passarinho,
Toc, toc, e fresca como o branco linho,
De manhã nas relvas a corar ao sol.
 
Vai sem cabeçada, em liberdade franca,
O jerico ruço duma linda cor;
Nunca foi ferrado, nunca usou retranca,
Tange-o, toc, toc, moleirinha branca
Com o galho verde duma giesta em flor.
 
Vendo esta velhita, encarquilhada e benta,
Toc, toc, toc, que recordação!
Minha avó ceguinha se me representa...
Tinha eu seis anos, tinha ela oitenta,
Quem me fez o berço fez-lhe o seu caixão!...
 
Toc, toc, toc, lindo burriquito,
Para as minhas filhas quem mo dera a mim!
Nada mais gracioso, nada mais bonito!
Quando a virgem pura foi para o Egipto,
Com certeza ia num burrico assim.
 
Toc, toc, é tarde, moleirinha santa!
Nascem as estrelas, vivas, em cardume...
Toc, toc, toc, e quando o galo canta,
Logo a moleirinha, toc, se levanta,
Pra vestir os netos, pra acender o lume...
 
Toc, toc, toc, como se espaneja,
Lindo o jumentinho pela estrada chã!
Tão ingénuo e humilde, dá-me, salvo seja,
Dá-me até vontade de o levar à igreja,
Baptizar-lhe a alma, prà fazer cristã!
 
Toc, toc, toc, e a moleirinha antiga,
Toda, toda branca, vai numa frescata...
Foi enfarinhada, sorridente amiga,
Pela mó da azenha com farinha triga,
Pelos anjos loiros com luar de prata!
 
Toc, toc, como o burriquito avança!
Que prazer d'outrora para os olhos meus!
Minha avó contou-me quando fui criança,
Que era assim tal qual a jumentinha mansa
Que adorou nas palhas o menino Deus...
 
Toc, toc, é noite... ouvem-se ao longe os sinos,
Moleirinha branca, branca de luar!...
Toc, toc, e os astros abrem diamantinos,
Como estremunhados querubins divinos,
Os olhitos meigos para a ver passar...
 
Toc, toc, e vendo sideral tesoiro,
Entre os milhões d'astros o luar sem véu,
O burrico pensa: Quanto milho loiro!
Quem será que mói estas farinhas d'oiro
Com a mó de jaspe que anda além no Céu!
 
Guerra Junqueiro (1850 - 1923)
 
 
Com um beijo para os caganitos
Guri Guri
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Segunda-feira, 19 de Junho de 2006

Crónicas do Luxemburgo - X

Uma figura inesquecível

 

 Imaginem um homem naquela época "velho", mas agora (que tenho a mesma idade) na "flor da vida".

Digamos sessenta e tais.

Um metro e cinquenta e poucos, grandes bigodes retorcidos na ponta, tez morena, olhos azuis piscos, cabeleira farta a cair sobre a testa e uma voz grave e roufenha.

Vestimenta: botas desfiguradas pelo uso, calças surradas, um colete de onde pendia um relógio de bolso preso por uma corrente (aparentemente de ouro), um casaco com o forro dos bolsos de fora e dois ou três lenços tabaqueiros que espreitavam. Uma bengala improvisada de pau de marmeleiro.

Fumador inveterado.

Sejamos fiéis à história. A maior parte do tempo não o dedicava ao fumo mas a enrolar a mortalha e a humedecê-la, com duas ou três passagens pelo lábio inferior, funcionalmente descaído pela repetição da operação.

Era o Senhor Armando de Ordins.

Pertencia a uma família considerada (os Nogueiras).

Não sei se por ascensão ou por queda social, exercia a honesta profissão de sardinheiro.

A partir de certa altura (foi já nesta fase que o conheci), a venda era feita pela mulher e pelos filhos e o Senhor Armando entretinha‑se a bebericar, pelas lojas e tabernas.

Era homem de poucas palavras, correcto e cheio de humor.

Combatente da 1ª Grande Guerra e "gaseado". Como ele se orgulhava de dizer, "esgazeado da guerra".

Encontrá-lo sóbrio só aos alvores da manhã.

Quando chegava a nossa casa, já tinha feito várias "visitas".

Tinha com o nosso Pai uma relação de intimidade e respeito.

Depois de dois quartilhos, ele próprio pressentia que iria passar a uma fase superior de "luta".

Desatava os lenços tabaqueiros e punha todo o dinheiro em cima do balcão:

"Aníbal, toma conta, que é para eu não perder!".

A partir desse momento, era natural que os restantes quartilhos fossem cuidadosamente misturados com água, ao que ele parecia indiferente.

A cada trago, continuava a estalar a língua na boca e a piscar o olho:

"Que pinga!".

Assumia, com humor, as agruras daquele destino, como daquela vez em que, no regresso a casa, não conseguiu ir além da presa dos Vasos e por aí se alojou, imaginando que estava na cama. "Estás mais áspera, hoje, Maria!", filosofava, enquanto estendia a mão e apertava um molho de silvas.

Recordo-me de algumas cenas exemplares.

A mais relevante aconteceu quando fomos a sua casa pedir para a festa da Senhora da Lapa.

O Senhor Armando foi buscar uma velha bota da tropa de onde retirou uma nota muito sebenta de vinte escudos (era dinheiro, ao tempo!…).

A propósito da bota, contou um episódio da guerra, em que se misturavam as boas relações que tinha estabelecido com os alemães (dizia "alemões"), a protecção divina e a vida nas trincheiras.

Contava ele que a Cruz Vermelha fornecia aos soldados, entre outras coisas, sabão. "Nazaré", referia ele "para os alemões entenderem".

Os soldados trocavam, com os alemães, sabão por pão.

Abriam-se formas gestuais de mercandejar.

Um dos braços significava a medida, outro a quantidade.

O Senhor Armando esticava o braço esquerdo e oferecia "Nazaré" (sabão) e apontava, com o outro braço, cinco centímetros a contar da mão. Pedia em troca brot (pão em alemão, que ele pronunciava "bruto") e indicava 40 centímetros do braço-medida, quase até ao ombro.

O alemão acenava que não e propunha:

"Bruto" (mostrava 10 centímetros de braço), "Nazaré" (media 30 centímetros).

O acordo fixava-se frequentemente na mesma proporção de braço para o sabão e para o pão ("Nazaré"/"Bruto")

O Senhor Armando doutrinava, depois, sobre a fé e o esforço humano.

Em plena trincheira, a artilharia pesada assobiava por cima e os soldados rezavam e chamavam pela família:

"Ai, Nossa Senhora, ai minha mãezinha!".

O Senhor Armando não.

Decidia, antes das rezas, vir cá fora e "calcular a p. da vida".

Ora, um dia, no exacto momento em que vigiava o horizonte, ouviu um tiro de canhão que lhe fez voar metade da "canhota" (a espingarda) e "limpou" todo o pelotão.

O Senhor Armando foi verificar os estragos e o que encontrou foram despojos humanos e um ou outro gemido de agonizantes.

Agradeceu, agora sim, a Nossa Senhora.

Outra história passa-se já na segunda grande guerra.

O Senhor Armando vai ao Porto visitar uma filha que aí trabalhava como criada de servir.

Levava um salpicão, um pedaço de broa e um garrafão de cinco litros para as primeiras necessidades.

Na estação se S. Bento, o guarda-fiscal perguntou-lhe pelas guias do vinho.

Nesse tempo, só se podia entrar nas cidades com guias de trânsito de alimentos.

O Senhor Armando confessou que não tinha papéis.

Ripostou o guarda-fiscal:

"Então, não passa!"

O Senhor Armando não se intimidou:

"Ai, isso é que passa!".

E, entre o "passa", "não passa", o Senhor Armando meteu o garrafão à boca e não parou enquanto não o esvaziou.

O guarda-fiscal só arregalava os olhos.

No fim, o Senhor Armando, um pouco cambaleante é certo, ajeitou o casaco para recuperar a sua dignidade de cidadão e enfrentou o guarda:

"Vê como passou?"

A terceira cena fotografa o Senhor Armando já um pouco decrépito, na festa do Senhor dos Passos.

Encostado à parede do campo que é hoje da paróquia, em frente a nossa casa.

Trazia pelos ombros um lenço de merino e pendurado ao pescoço um grande cordão de ouro. Numa das mãos, uma mala de senhora.

"Bom dia, Senhor Armando!" – cumprimentei.

Piscou o olho e explicou o luxo. Tinha oferecido a uma das filhas o lenço, o cordão de ouro e a mala e acabava de confiscar o presente por suposto mau comportamento da rapariga.

Um dos últimos flashes encontra o Senhor Armando na Igreja, num domingo à tarde, na "hora de adoração".

Cantava-se o "Tantum ergo".

O Senhor Armando também acompanhava mas, da garganta, castigada por muitos anos de verde tinto, só saía ar.

Devotamente, o Senhor Armando mexia os lábios, assumia o sopro que não a voz, e encolhia os ombros, como quem diz:

"Cada um faz o que pode!".

 

 

Tio Zé

música: Lili marlene - Wehrmacht, Marlene Dietrich, Bavarian Singers
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Sexta-feira, 16 de Junho de 2006

Caixa de Pandora XV

 

Nasceu uma estrela

 

 

Como é bom sonhar!

 

 

A sagrada família

 

 

Dados da prenda
Nome: Mafalda Rodrigues Maia
Data de Nascimento: 12/06/2006 às 14:17
Peso: 3080 g
Altura: 49,50 cm
 
 
Com os agradecimentos da Mafalda, dos pais e da Avó Inês, para toda a família que através de visitas ou telefonicamente nos tem demonstrado enorme carinho, em especial para a Rita envio foto onde aparece o pai babado para que finalmente o possa conhecer
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Quinta-feira, 15 de Junho de 2006

SÊ BEM-VINDA, MAFALDA !!!

 

 

 

Sê bem-vinda, pequenina MAFALDA, à Terra dos Homens!

Teus pais esperavam-te na alegria, transbordando de amor e ansiedade!

Sê bem-vinda, pequenina MAFALDA, aceita a amizade

dos que te querem bem, e prepara-te desde já,

para veres uns seres muito grandes em relação a ti,

que se movimentam num "vai e vem" contínuo, para cá e para lá,

sem saberem muito bem para que correm, e qual o seu destino!

Não aceites este "vai e vem" sem sentido, MAFALDA,

vem colocar um pouco de sensatez nessa Terra dos Homens,

da qual já fazes parte.

Que a tua presença irradie paz, embora sejas combativa,

irradie sabedoria e inteligência, para que sejas simples e tolerante,

irradie alegria e gosto de viver

para que todos se sintam felizes a teu lado!

Despreza todas as formas de viver que tiram dignidade ao ser humano

e ama a todos os homens sem distinção, embora  te diga que é difícil.

Que tudo o que fizeres, seja bem feito, mas sem o perfeccionismo

que nos torna doentes e tristes.

Sê tu, a MAFALDA, brinca muito, sem medo, sem preconceitos,

conserva toda a beleza de ser criança pela vida fora,

porque tudo o que há de bom

está presente no coração e no olhar desse bébé que tu já és!

Peço-te que conserves as jóias raras que te foram

gratuitamente concedidas pelo Senhor da Vida,

peço-te porque te quero muito!

 

 

Com um beijo de parabéns, aceita as boas vindas

da

Tia Guida

Porto, 12 de Junho de 2006

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Sexta-feira, 9 de Junho de 2006

In Memoriam

 

 
 

música: Los Sabandeños & Concierto de Aranjuez - II Adagio
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If I leave

Underneath the cold moonlight
If I can see my shadow lyin' there
Shall I just tell you how I feel inside
All that is in my heart

If the wind may blow on my heart
Tellin' me again that I'm alone
Should I just give out a sigh'nd ask myself
Why do I have to live myself

(Chorus) *
Though I may be sad, I've got to live
Because I feel so sad, I must go on *

I know that I'll understand when I'm gone
Why I just had to live my life,
here in this world
You were the only one for me
Though sorrow of my heart
You loved me so, please tell me so
Like the evening light so falls
If all my memories just fade away
Will I hold on to joy that's in my heart
Oh, days of long ago

Wonder if the star in the sky and
He knows how I feel my loneliness
Maybe that's why he stay here with me
He just stayed there all through the night

(Repeat Chorus) *

I know that I'll understand when I'm gone
Why I just had to live my life,
here in this world
You were the only one for me
Though sorrow of my heart
You'll love me so

Ooh.. I hope some day
You were the one to cry for me
Though sorrows in my heart
Unfilled with joy, my love
 
If I leave, Mingchenghuanghou
música: If I leave, Mingchenghuanghou
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Quinta-feira, 8 de Junho de 2006

Qué cantan los poetas andaluces de ahora?

¿Qué cantan los poetas andaluces de ahora?
¿qué miran los poetas andaluces de ahora?
¿qué sienten los poetas andaluces de ahora?

Cantan con voz de hombre
pero, ¿dónde los hombres?
Con ojos de hombre miran
pero, ¿dónde los hombres?
Con pecho de hombre sienten
pero, ¿dónde los hombres?

Cantan, y cuando cantan parece que están solos
Miran, y cuando miran parece que están solos
Sienten, y cuando sienten parece que están solos

¿Qué cantan los poetas, poetas andaluces de ahora?
¿Qué miran los poetas, poetas andaluces de ahora?
¿Qué sienten los poetas, poetas andaluces de ahora?

Y cuando cantan, parece que están solos
Y cuando miran , parece que están solos
Y cuando sienten, parece que están solos

Y cuando cantan, parece que están solos
Y cuando miran , parece que están solos
Y cuando sienten, parece que están solos

Pero, ¿dónde los hombres?

¿Es que ya Andalucía se ha quedado sin nadie?
¿Es que acaso en los montes andaluces no hay nadie?
¿que en los campos y mares andaluces no hay nadie?

¿No habrá ya quien responda a la voz del poeta,
quien mire al corazón sin muro del poeta?
Tantas cosas han muerto, que no hay más que el poeta

Cantad alto, oiréis que oyen otros oídos
Mirad alto, veréis que miran otros ojos
Latid alto, sabréis que palpita otra sangre

No es más hondo el poeta en su oscuro subsuelo encerrado
Su canto asciende a más profundo, cuando abierto en el aire
ya es de todos los hombres

Y ya tu canto es de todos los hombres
Y ya tu canto es de todos los hombres

Y ya tu canto es de todos los hombres
Y ya tu canto es de todos los hombres (bis)
 
Poetas andaluces, Aguaviva (1971)

 

música: Poetas andaluces, Aguaviva
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Quarta-feira, 7 de Junho de 2006

Georges! anda ver meu país de Marinheiros

Georges! anda ver meu país de Marinheiros,
O meu país das Naus, de esquadras e de frotas!
 
Oh as lanchas dos poveiros
A saírem a barra, entre ondas e gaivotas!
Que estranho é!
Fincam o remo na água, até que o remo torça,
A espera da maré,
Que não tarda hí, avista-se lá fora!
E quando a onda vem, fincando-o a toda a força,
Clamam todos à uma: "Agôra! agôra! agôra!"
E, a pouco e pouco, as lanchas vão saindo
(As vezes, sabe Deus, para não mais entrar...)
Que vista admirável! Que lindo! que lindo!
Içam a vela, quando já têm mar:
Dá-lhes o Vento, e todas à porfia,
Lá vão soberbas, sob um céu sem manchas,
Rosário de velas, que o vento desfia,
A rezar, a rezar a Ladainha das Lanchas:
 
Snra. Nagonia!
 
Olha, acolá!
Que linda vai com seu erro de ortografia...
Quem me dera ir lá!
 
Senhora Da guarda!
 
(Ao leme vai o Mestre Zé da Loenor)
Parece uma gaivota: aponta-lhe a espingarda
O caçador!
Senhora d'ajuda!
Ora'pro nobis!
Caluda!
Sêmos probes!
S.hr dos ramos!
Istrella do mar!
Cá bamos!
 
Parecem Nossa Senhora, a andar.
 
Snra. da Luz!
 
Parece o Farol...
 
Maim de Jesus!
E tal qual ela, se lhe dá o Sol!
 
S.hr dos Passos!
Sinhora da Ora!
 
Aguias a voar, pelo mar dentro dos espaços
Parecem ermidas caiadas por fóra...
 
S.hr dos Navegantes!
Senhor de Matozinhos!
 
Os mestres ainda são os mesmos d'antes:
Lá vai o Bernardo da Silva do Mar,
A mail-os quatro filhinhos,
Vascos da Gama, que andam a ensaiar...
 
Senhora dos aflitos!
Martir São Sebastião!
Ouvi os nossos gritos!
Deus nos leve pela mão!
Bamos em paz!
 
Ó lanchas, Deus vos leve pela mão!
Ide em paz!
 
Ainda lá vejo o Zé da Clara, os Remelgados,
O Jéques, o Pardal, na Nam te perdes.
E das vagas, aos ritmos cadenciados,
As lanchas vão traçando, à flor das águas verdes
"As armas e os barões assinalados..."
 
Lá sai a derradeira!
Ainda agarra as que vão na dianteira...
Como ela corre! com que força o Vento a impele:
 
Bamos com Deus!
 
Lanchas, ide com Deus! ide e voltai com ele
Por esse mar de Cristo...
 
Adeus! adeus! adeus!
 
 
Lusitânia no Bairro Latino, António Nobre (1867-1905)
Paris (1891-1892)
 
 
A Praia das Pastoras e a barra do Douro (lado sul do paredão do farol)
 
 
 
 
O farol 
 
  
 
O mar e a Praia do Ourigo (lado norte do paredão do Farol)
 
 Foz do Douro - Cidade do Porto
Fotografias de João Manuel Tavares Martins
 
 
 
música: Chopin, Impromptu No. 4 in c sharp minor
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Segunda-feira, 5 de Junho de 2006

Se soubessem como eu gosto de olhar as estrelas!

É engraçado que ás vezes, uma palavra que parecia ficar condenada ao esquecimento, pode fazer despoletar em nós anseios de escrever coisas belas.

Assim aconteceu, com as estrelas a que o Tio Mário se referiu, quando falou em sabonete lux.

Estas estrelas lavam-se como quiserem e com o produto que para si escolheram. E, por falar nisso aproveito para avisar que olhem bem para a composição dos vossos produtos de higiene e vejam se contêm uma substância química chamada Lauril Sulfato de Sódio. É muito usada nestes produtos, pela facilidade que tem em produzir grande quantidade de espuma. Cuidado amigos! Dizem que é cancerígeno!

 

Já me estou a desviar da minha estrela, afinal um simples sabonete quase me desvia da rota que me propus alcançar. Esse mundo fantástico das estrelas, aquelas que a minha vista consegue descortinar na noite e, cintilam, com a mesma magia, de uma imensidão de velas acesa por mão humana.

As estrelas conseguem levar-me a um estado de alma que me consola, quando por vezes um sentimento, geralmente de saudade, me faz doer bem no fundo da alma.

 

Debruço-me à janela do meu quarto (mais em Melres), olho o monte, o rio e o céu, e alguma estrela que me pareça mais especial. Através dela consigo abranger o infinito e, por momentos falar com aqueles que amo, mas não estão fisicamente junto de mim.

 

Começa então uma oração que me consola e me dá força. A beleza da paisagem que se apresenta diferente no mistério que envolve a noite, não dá medo, apazigua e envolve-nos também nesse mistério de Infinito que nos transcende e, ao mesmo tempo está tão perto de nós.

 

Sempre costumo a utilizar as estrelas para falar aos meus netos, de realidades que eles ainda não entendem.

Jamais esqueço a noite em que morreu o Albano, o filho da Adelaide e do Castro.

A Margarida estava connosco e apercebeu-se que alguma coisa triste se passava…falhei-lhe nas estrelas e disse-.lhe:

“Vês Margarida o Albano está naquela estrela!”

Era a primeira que aparece no céu, a Sirius.

Então a Margarida com uma batata frita na mão faz um gesto de oferta em direcção à estrela:

“Albano queres batatas fritas?

“ Olha Vó, estou a ver uma perna do Albano!”.

Ainda consegui fazer rir a Adelaide!

Benditas crianças e benditas estrelas que tão bem mostraram o caminho aos Reis do Oriente! Estrela que os havia de levar a uma criança que, não é mais nem menos que o dono de todas as estrelas.

 

Tia Guida

 

Ofereço à Rita este post,  neste dia do seu aniversário, com um beijo muito amigo. Continuo a pedir para ela uma Estrela especial a iluminar o seu caminho. Parabéns!

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