Sábado, 29 de Julho de 2006

Chi vó, non pó

Chi vó, non pó;
chi pó, non vó;
Chi sá, non fá;
chi fá, non sá.
Cosi, male il mondo vá.
(Quem quer, não pode; quem pode, não quer. Quem sabe, não faz; quem faz, não sabe. E, asssim, mal vai o mundo)
 
Provérbio iTALIANO
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Domingo, 16 de Julho de 2006

Nasceu a Maria !!!

SÊ BEM - VINDA, MARIA !!!

 

Sê bem-vinda, pequenina Maria à Cidade dos Homens! Eu digo cidade, mas deveria dizer aldeia global. Tu vais ver como isso funciona e fazer o teu próprio juízo.

Teus pais e tua mana Margarida, esperavam-te cada um à sua maneira: Teus pais, na alegria, transbordando de amor e ansiedade. A Margarida na alegria e na expectativa dessa mana tão esperada e desejada com quem convivia já muito intensamente através das conversas em família.

Como és linda, doce bebé! Por graça de Deus trouxeste, pelo menos a mesma cabeleira farta e preta da tua mãe. Sempre que te olho regresso ao dia 24 de Maio. Obrigada Senhor por este rebuçado!

Também queria dizer-te, que ao olhar-te, me fizestes lembrar a priminha Mafalda que nasceu um pouquinho antes de ti.

Sê bem-vinda, pequenina Maria  aceita a amizade dos que te querem bem, e prepara-te desde já, para veres uns seres muito grandes em relação a ti, que se movimentam num "vai e vem" contínuo, para cá e para lá, sem saberem muito bem para que correm, e qual o seu destino!

Não aceites este "vai e vem" sem sentido, Maria  vem colocar um pouco de sensatez na cidade dos homens, da qual já fazes parte. Que a tua presença irradie paz, ternura alegria,

irradie sabedoria e inteligência, para que sejas simples e tolerante, alegria e para que todos se sintam felizes a teu lado!

 

Despreza todas as formas de viver que tiram dignidade ao ser humano e ama a todos os homens sem distinção, embora  te diga que é difícil.

Que tudo o que fizeres, seja bem feito, mas sem o perfeccionismo que nos torna doentes e tristes.

Sê mulher autêntica usando todos os dons especiais que Deus te concedeu, e marca um lugar no mundo, um lugar diferente, sem ser preciso ser igual ao homem. TU, MULHER,  tens capacidade própria para mudar o mundo.

 

Sê tu, a Maria , brinca muito, sem medo, sem preconceitos, conserva toda a beleza do "Ser" criança pela vida fora, porque tudo o que há de bom está presente no coração e no olhar desse bebé que tu já és! Peço-te que conserves as jóias raras que te foram gratuitamente concedidas pelo Senhor da Vida, peço-te porque te quero muito!

 

Avó Margarida

Porto, 15 de Julho de 2006

Pequeno poema

 

Quando eu nasci,

ficou tudo como estava.

 

Nem homens cortaram veias,

nem o Sol escureceu,

nem houve Estrelas a mais...

Somente,

esquecida das dores,

a minha Mãe sorriu e agradeceu.

 

Quando eu nasci,

não houve nada de novo

senão eu.

 

As nuvens não se espantaram,

não enlouqueceu ninguém...

 

P’ra que o dia fosse enorme,

bastava

toda a ternura que olhava

nos olhos de minha Mãe...

 Sebastião da Gama 

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Quarta-feira, 5 de Julho de 2006

Crónicas do Luxemburgo - XI

A árvore do macaco

 

(Para a Catarina, a Bibi, o Nunocas

e todos os priminhos on line)

 

A Catarina e a Bibi conhecem a árvore.

Fica a cinquenta metros da presa dos Vasos e está assinalada com um risco. Fi-lo com um graveto.

Vão visitá-la que vale a pena.

A Catarina e a Bibi já conheciam os factos. Mas, naquele dia, hesitei alguns minutos até localizar a árvore.

Consegui. Trata-se de um pinheiro.

A Catarina propôs imediatamente:

"Zézé, põe uma marca para não nos voltarmos a perder!".

Assim fiz.

Quanto à história é, como sempre, pura realidade.

Num Outono doce de há muitos anos, constou, em Lagares, que um ser estranho percorria os montes, de noite, guinchando e saltando, veloz, de árvore em árvore.

Umas pessoas apostavam que era um monstro; outras temiam que fosse o diabo.

Dizia-se que era preto, peludo, com olhos brilhantes e focinho de gente.

Os lugares onde o bicho (ou pessoa? ou lobisomem?) aparecia variavam.

Havia quem o tivesse visto a passear no monte da Senhora Aninhas, a rolar pela ribanceira do campo da bola, a beber água no fontanário, a dançar no meio da estrada ou a saltar de árvore em árvore que era a história mais corrente.

Ninguém, no entanto, se atrevia a aprofundar a questão.

Os mais afoitos ousavam:

"Amanhã, pego numa forquilha e vou por aí acima!".

Mas é o ias.

"Então, Senhor António, o que é que encontrou?

"Ai, é verdade, não pude ir. Esqueci-me que tinha a feira. Fica para a semana…".

Outros eram mais sinceros:

"Não sou dos mais medrosos. Mas com esses bichos, monstros, diabos ou lá o que é, não me meto. Ainda outro dia, em Recarei, o maquinista do comboio ficou assombrado e tolhido com um bruto (queria dizer vulto) destes!".

"Então, tu acreditas?".

"Nem acredito nem desacredito. Com coisas sérias não se brinca!".

O Tio Manuel (pai das primas Isabel e Odete) era um homem destemido e corajoso. Onde lhe constasse que existia bicho ou coisa estranha, aí estava ele. Um dia, contarei a história dos quatro raposinhos que me trouxe de presente.

Pois, logo que o Tio Manuel soube que o tal bicho-fantasma andava por aquelas paragens, anunciou aos quatro ventos que, no dia seguinte, de manhã cedo, iria, com o moço (o criado da lavoura), ver o que se passava.

Chegado perto da presa dos Vasos, o Tio Manuel ouviu uma espécie de gargalhada vinda do cimo de um pinheiro e tomou os devidos cuidados.

Encostou-se a um eucalipto e pôs-se a observar.

Não teve dúvidas.

Era um macaco. Estava encavalitado em cima do pinheiro, a comer descansadamente uma noz que tinha apanhado numa nogueira.

O Tio Manuel disse para o moço:

"Vou apanhá-lo!"

E, com muita calma, subiu pelo pinheiro acima.

O macaco permaneceu onde estava, com a maior tranquilidade. Olhava o Tio Manuel de soslaio, com curiosidade, como a querer dizer:

"O que anda este senhor a fazer por estas bandas?".

Mas nada mais.

Porém, quando o Tio Manuel chegou ao topo do pinheiro, o macaco deu uma gargalhada e, zás, saltou para outra árvore: um carvalho.

O Tio Manuel desceu pacientemente o pinheiro e subiu, com agilidade, pelo carvalho acima.

Mas a cena repetiu-se. O macaco calculou a distância e, quando o Tio Manuel lhe ia deitar a mão…pumba…saltou para um sobreiro.

E, por aí adiante.

Então, o Tio Manuel teve uma ideia.

Disse ao moço:

"Vai buscar meia dúzia de pessoas!"

E assim foi.

Vieram seis rapazes e o Tio Manuel estabeleceu inteligentemente um plano:

"Cada um de vós sobe até ao cimo das árvores que rodeiam aquela em que está sentado o macaco e fica lá. Se o macaco saltar para essa árvore, é só apanhá-lo, pois o animal não é feroz".

Mas o Tio Manuel não contou com a esperteza do bicho.

Todos a postos. O macaco no galho de um pinheiro, a mastigar distraidamente uma avelã, e aí vai, vitorioso, o Tio Manuel.

Estava a vinte centímetros do bicho e já estendia a mão para o agarrar quando este cuspiu a casca da avelã e desferiu uma tremenda bofetada na cara do Tio Manuel.

O Tio Manuel não teve tempo para reagir. Deslizou pelo pinheiro abaixo, como um gato, com a mão na cara e visivelmente surpreendido.

"O safado saiu melhor que a encomenda!", comentavam todos.

Ninguém, no entanto, pensou usar de violência.

O macaco era um animal praticamente desconhecido em Lagares mas os que tinham ouvido histórias de macacos só podiam achar piada às suas tropelias.

Ora, estes acontecimentos tinham-se propagado e, nas freguesias vizinhas, falava-se à boca pequena de todas as peripécias.

Foi então que o carteiro de Paço de Sousa, o Senhor José, trouxe a última novidade e a chave do problema.

O macaco era o macho de um casal de macacos que viviam na Quinta da Pena.

Tinham vindo de África. Viviam na maior harmonia e foi o desejo de conhecer mundo que levou Adriano (era assim que se chamava o macaco) a escapulir-se.

Era possível que, se trouxessem ao local a fêmea, Adriano abandonasse as acrobacias, descesse da árvore e se deixasse apanhar.

Mas nem foi necessário tanto.

Chegada a macaca aos Vasos, o "marido" sentiu a sua presença, deu um guincho de satisfação e desceu rapidamente do pinheiro em que se encontrava.

E, depois, foi o que se viu.

Deram a mão um ao outro e resolveram voltar a casa.

Formou-se um verdadeiro cortejo nupcial: o casal de macacos e o povo que alegremente os quis acompanhar até Paço de Sousa.

Consta, mas aqui limito-me a narrar o que me foi referido, que os dois macacos ouviram um grande ralhete dos donos. E que, logo a seguir, foram mimoseados com um lauto almoço, tal era o contentamento de toda a gente.

Quanto ao Tio Manuel, não ficou ressentido com a bofetada que apanhou e até achou graça.

Mas não deixou de desabafar:

"Para a próxima, já sei que um macaco em cima de uma árvore é um senhor!... Merece respeito!".

Tio Zé

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