Quarta-feira, 1 de Agosto de 2007

Protopoema

Do novelo emaranhado da memória, da escuridão dos

nós cegos, puxo um fio que me aparece solto.
Devagar o liberto, de medo que se desfaça entre os dedos.
É um fio longo, verde e azul, com cheiro de limos,

e tem a macieza quente do lodo vivo.
É um rio.
Corre-me nas mãos, agora molhadas.
Toda a água me passa entre as palmas abertas, e de

repente não sei se as águas nascem de mim, ou para mim fluem.
Continuo a puxar, não já memória apenas, mas o

próprio corpo do rio.
Sobre a minha pele navegam barcos, e sou também os

barcos e o céu que os cobre e os altos choupos que

vagarosamente deslizam sobre a película luminosa dos olhos.
Nadam-me peixes no sangue e oscilam entre duas

águas como os apelos imprecisos da memória.
Sinto a força dos braços e a vara que os prolonga.
Ao fundo do rio e de mim, desce como um lento e

firme pulsar do coração.
Agora o céu está mais perto e mudou de cor.
É todo ele verde e sonoro porque de ramo em ramo

acorda o canto das aves.
E quando num largo espaço o barco se detém, o meu

corpo despido brilha debaixo do sol, entre o

esplendor maior que acende a superfície das águas.
Aí se fundem numa só verdade as lembranças confusas

da memória e o vulto subitamente anunciado do futuro.
Uma ave sem nome desce donde não sei e vai pousar

calada sobre a proa rigorosa do barco.
Imóvel, espero que toda a água se banhe de azul e que

as aves digam nos ramos por que são altos os

choupos e rumorosas as suas folhas.
Então, corpo de barco e de rio na dimensão do homem,

sigo adiante para o fulvo remanso que as espadas

verticais circundam.
Aí, três palmos enterrarei a minha vara até à pedra viva.
Haverá o grande silêncio primordial quando as mãos se

juntarem às mãos.
Depois saberei tudo.

JS

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Sábado, 16 de Dezembro de 2006

Postal de Boas Festas

Um MENINO nos foi dado

Tu vieste, Senhor, feito um menino

A precisar de carinhos e cuidados.

Vieste, Rei dos Céus, à terra em sombras

Igual a todos nós, mas sem pecados.

Nas alturas cantaram os Teus anjos

E na terra brilhou a Tua luz

Um menino nos foi dado por amor

Um menino, Emanuel, doce Jesus.

Ajoelho-me, hoje, como fazem os pastores,

E os reis, que souberam reconhecer a luz,

Ajoelho-me e Te louvo, Rei dos Céus

Na humildade do Teu berço, meu Jesus.

Obrigada pelo Teu infinito amor

Vem fazer nos corações Tua morada,

Rasgar trevas que ensombram nossa noite

Fazer acontecer, radiosa madrugada…

 

 

A toda a família Primos Online

desejo um Santo Natal

Tia Guida

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Quinta-feira, 22 de Junho de 2006

A Moleirinha

 
Pela estrada plana, toc, toc, toc,
Guia o jumentinho uma velhinha errante
Como vão ligeiros, ambos a reboque,
Antes que anoiteça, toc, toc, toc
A velhinha atrás, o jumentinho adiante!...
 
Toc, toc, a velha vai para o moinho,
Tem oitenta anos, bem bonito rol!...
E contudo alegre como um passarinho,
Toc, toc, e fresca como o branco linho,
De manhã nas relvas a corar ao sol.
 
Vai sem cabeçada, em liberdade franca,
O jerico ruço duma linda cor;
Nunca foi ferrado, nunca usou retranca,
Tange-o, toc, toc, moleirinha branca
Com o galho verde duma giesta em flor.
 
Vendo esta velhita, encarquilhada e benta,
Toc, toc, toc, que recordação!
Minha avó ceguinha se me representa...
Tinha eu seis anos, tinha ela oitenta,
Quem me fez o berço fez-lhe o seu caixão!...
 
Toc, toc, toc, lindo burriquito,
Para as minhas filhas quem mo dera a mim!
Nada mais gracioso, nada mais bonito!
Quando a virgem pura foi para o Egipto,
Com certeza ia num burrico assim.
 
Toc, toc, é tarde, moleirinha santa!
Nascem as estrelas, vivas, em cardume...
Toc, toc, toc, e quando o galo canta,
Logo a moleirinha, toc, se levanta,
Pra vestir os netos, pra acender o lume...
 
Toc, toc, toc, como se espaneja,
Lindo o jumentinho pela estrada chã!
Tão ingénuo e humilde, dá-me, salvo seja,
Dá-me até vontade de o levar à igreja,
Baptizar-lhe a alma, prà fazer cristã!
 
Toc, toc, toc, e a moleirinha antiga,
Toda, toda branca, vai numa frescata...
Foi enfarinhada, sorridente amiga,
Pela mó da azenha com farinha triga,
Pelos anjos loiros com luar de prata!
 
Toc, toc, como o burriquito avança!
Que prazer d'outrora para os olhos meus!
Minha avó contou-me quando fui criança,
Que era assim tal qual a jumentinha mansa
Que adorou nas palhas o menino Deus...
 
Toc, toc, é noite... ouvem-se ao longe os sinos,
Moleirinha branca, branca de luar!...
Toc, toc, e os astros abrem diamantinos,
Como estremunhados querubins divinos,
Os olhitos meigos para a ver passar...
 
Toc, toc, e vendo sideral tesoiro,
Entre os milhões d'astros o luar sem véu,
O burrico pensa: Quanto milho loiro!
Quem será que mói estas farinhas d'oiro
Com a mó de jaspe que anda além no Céu!
 
Guerra Junqueiro (1850 - 1923)
 
 
Com um beijo para os caganitos
Guri Guri
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Quarta-feira, 7 de Junho de 2006

Georges! anda ver meu país de Marinheiros

Georges! anda ver meu país de Marinheiros,
O meu país das Naus, de esquadras e de frotas!
 
Oh as lanchas dos poveiros
A saírem a barra, entre ondas e gaivotas!
Que estranho é!
Fincam o remo na água, até que o remo torça,
A espera da maré,
Que não tarda hí, avista-se lá fora!
E quando a onda vem, fincando-o a toda a força,
Clamam todos à uma: "Agôra! agôra! agôra!"
E, a pouco e pouco, as lanchas vão saindo
(As vezes, sabe Deus, para não mais entrar...)
Que vista admirável! Que lindo! que lindo!
Içam a vela, quando já têm mar:
Dá-lhes o Vento, e todas à porfia,
Lá vão soberbas, sob um céu sem manchas,
Rosário de velas, que o vento desfia,
A rezar, a rezar a Ladainha das Lanchas:
 
Snra. Nagonia!
 
Olha, acolá!
Que linda vai com seu erro de ortografia...
Quem me dera ir lá!
 
Senhora Da guarda!
 
(Ao leme vai o Mestre Zé da Loenor)
Parece uma gaivota: aponta-lhe a espingarda
O caçador!
Senhora d'ajuda!
Ora'pro nobis!
Caluda!
Sêmos probes!
S.hr dos ramos!
Istrella do mar!
Cá bamos!
 
Parecem Nossa Senhora, a andar.
 
Snra. da Luz!
 
Parece o Farol...
 
Maim de Jesus!
E tal qual ela, se lhe dá o Sol!
 
S.hr dos Passos!
Sinhora da Ora!
 
Aguias a voar, pelo mar dentro dos espaços
Parecem ermidas caiadas por fóra...
 
S.hr dos Navegantes!
Senhor de Matozinhos!
 
Os mestres ainda são os mesmos d'antes:
Lá vai o Bernardo da Silva do Mar,
A mail-os quatro filhinhos,
Vascos da Gama, que andam a ensaiar...
 
Senhora dos aflitos!
Martir São Sebastião!
Ouvi os nossos gritos!
Deus nos leve pela mão!
Bamos em paz!
 
Ó lanchas, Deus vos leve pela mão!
Ide em paz!
 
Ainda lá vejo o Zé da Clara, os Remelgados,
O Jéques, o Pardal, na Nam te perdes.
E das vagas, aos ritmos cadenciados,
As lanchas vão traçando, à flor das águas verdes
"As armas e os barões assinalados..."
 
Lá sai a derradeira!
Ainda agarra as que vão na dianteira...
Como ela corre! com que força o Vento a impele:
 
Bamos com Deus!
 
Lanchas, ide com Deus! ide e voltai com ele
Por esse mar de Cristo...
 
Adeus! adeus! adeus!
 
 
Lusitânia no Bairro Latino, António Nobre (1867-1905)
Paris (1891-1892)
 
 
A Praia das Pastoras e a barra do Douro (lado sul do paredão do farol)
 
 
 
 
O farol 
 
  
 
O mar e a Praia do Ourigo (lado norte do paredão do Farol)
 
 Foz do Douro - Cidade do Porto
Fotografias de João Manuel Tavares Martins
 
 
 
música: Chopin, Impromptu No. 4 in c sharp minor
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Domingo, 4 de Junho de 2006

O Sono do João

O João dorme... (Ó Maria,
Diz àquela cotovia
Que fale mais devagar:
Não vá o João acordar...)


Tem só um palmo de altura
E nem meio de largura:
Para o amigo orangotango
O João seria... um morango!
Podia engoli-lo um leão
Quando nasce! As pombas são
Um poucochinho maiores...
Mas os astros são menores!

O João dorme... Que regalo!
Deixá-lo dormir, deixá-lo!
Calai-vos, águas do moinho!
Ó Mar! fala mais baixinho...
E tu, Mãe! e tu, Maria!
Pede àquele cotovia
Que fale mais devagar:
Não vá o João acordar...

O João dorme, o Inocente!
Dorme, dorme eternamente,
Teu calmo sono profundo!
Não acordes para o Mundo,
Pode levar-te a maré:
Tu mal sabes o que isto é...

Ó Mãe! canta-lhe a canção,
Os versos do teu Irmão:
"Na vida que a Dor povoa,
Há só uma coisa boa,
Que é dormir, dormir, dormir...
Tudo vai sem se sentir."

Deixa-o dormir, até ser
Um velhinho... até morrer!

E tu vê-lo-ás crescendo
A teu lado (estou-o vendo
João! que rapaz tão lindo!)
Mas sempre sempre dormindo...

Depois, um dia virá
Que (dormindo) passará
do berço, onde agora dorme,
Para outro, grande, enorme:
E as pombas que eram maiores
Que João... ficarão menores!

Mas para isso, ó Maria!
Diz àquela cotovia
Que fale mais devagar:
Não vá o João acordar...

E os anos irão passando.

Depois, já velhinho, quando
(Serás velhinha também)
Perder a cor que, hoje, tem,
Perder as cores vermelhas
E for cheinho de engelhas,
Morrerá sem o sentir,
Isto é, deixa de dormir:
Acorda e regressa ao seio
De Deus, que é d'onde ele veio...

Mas para isso, ó Maria!
Pede àquela cotovia
Que fale mais devagar:

Não vá o João acordar...

Só, António Nobre (1867-1900)
 
Nota: A azul os versos publicados em "O LIVRO DA SEGUNDA CLASSE"
Um beijo especial para a Talinha

 

música: Chopin - Nocturne In E Minor, Op. 72, No. 1
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Quinta-feira, 1 de Junho de 2006

Dobrada à moda do Porto

Um dia, num restaurante, fora do espaço e do tempo,
Serviram-me o amor como dobrada fria.
Disse delicadamente ao missionário da cozinha
Que a preferia quente,
Que a dobrada (e era à moda do Porto) nunca se come fria.

Impacientaram-se comigo.
Nunca se pode ter razão, nem num restaurante.
Não comi, não pedi outra coisa, paguei a conta,
E vim passear para toda a rua.

Quem sabe o que isto quer dizer?
Eu não sei, e foi comigo...
(Sei muito bem que na infância de toda a gente houve um jardim,
Particular ou público, ou do vizinho.
Sei muito bem que brincarmos era o dono dele.
E que a tristeza é de hoje).

Sei isso muitas vezes,
Mas, se eu pedi amor, porque é que me trouxeram
Dobrada à moda do Porto fria?
Não é prato que se possa comer frio,
Mas trouxeram-mo frio.
Não me queixei, mas estava frio,
Nunca se pode comer frio, mas veio frio.

 

Álvaro de Campos (1888-1935)

 

 

 Ponte de S. João - Porto

 

   

 Ponte do Infante - Porto~

  

  

Ponte da Arrábida - Porto

     

Fotografias de João Manuel Tavares Martins

 

 

música: Nocturne in E flat major op 9, Chopin
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Terça-feira, 23 de Maio de 2006

Cruzou por mim, veio ter comigo, numa rua da Baixa

 
Cruzou por mim, veio ter comigo, numa rua da Baixa 
Aquele homem mal vestido, pedinte por profissão que se lhe vê na cara, 
Que simpatiza comigo e eu simpatizo com ele; 
E reciprocamente, num gesto largo, transbordante, dei-lhe tudo quanto tinha 
(Excepto, naturalmente, o que estava na algibeira onde trago mais dinheiro: 
Não sou parvo nem romancista russo, aplicado, 
E romantismo, sim, mas devagar...). 
Sinto uma simpatia por essa gente toda, 
Sobretudo quando não merece simpatia. 
Sim, eu sou também vadio e pedinte, 
E sou-o também por minha culpa. 
Ser vadio e pedinte não é ser vadio e pedinte: 
É estar ao lado da escala social, 
É não ser adaptável às normas da vida, 
Às normas reais ou sentimentais da vida - 
Não ser Juiz do Supremo, empregado certo, prostituta, 
Não ser pobre a valer, operário explorado, 
Não ser doente de uma doença incurável, 
Não ser sedento da justiça, ou capitão de cavalaria, 
Não ser, enfim, aquelas pessoas sociais dos novelistas 
Que se fartam de letras porque tem razão para chorar lágrimas, 
E se revoltam contra a vida social porque tem razão para isso supor. 
 
Não: tudo menos ter razão! 
Tudo menos importar-se com a humanidade! 
Tudo menos ceder ao humanitarismo! 
De que serve uma sensação se há uma razão exterior a ela? 
 
Sim, ser vadio e pedinte, como eu sou, 
Não é ser vadio e pedinte, o que é corrente: 
Éser isolado na alma, e isso é que é ser vadio, 
É ter que pedir aos dias que passem, e nos deixem, e isso é que é ser pedinte. 
 
Tudo o mais é estúpido como um Dostoiewski ou um Gorki. 
Tudo o mais é ter fome ou não ter o que vestir. 
E, mesmo que isso aconteça, isso acontece a tanta gente 
Que nem vale a pena ter pena da gente a quem isso acontece. 
 
Sou vadio e pedinte a valer, isto é, no sentido translato, 
E estou-me rebolando numa grande caridade por mim. 
 
Coitado do Álvaro de Campos! 
Tão isolado na vida! Tão deprimido nas sensações! 
Coitado dele, enfiado na poltrona da sua melancolia! 
Coitado dele, que com lágrimas (autênticas) nos olhos, 
Deu hoje, num gesto largo, liberal e moscovita, 
Tudo quanto tinha, na algibeira em que tinha olhos tristes por profissão 
 
Coitado do Álvaro de Campos, com quem ninguém se importa! 
Coitado dele que tem tanta pena de si mesmo! 
 
E, sim, coitado dele! 
Mais coitado dele que de muitos que são vadios e vadiam, 
Que são pedintes e pedem, 
Porque a alma humana é um abismo. 
 
Eu é que sei. Coitado dele! 
Que bom poder-me revoltar num comício dentro de minha alma! 
 
Mas até nem parvo sou! 
Nem tenho a defesa de poder ter opiniões sociais. 
Não tenho, mesmo, defesa nenhuma: sou lúcido. 
 
Não me queiram converter a convicção: sou lúcido! 
 
Já disse: sou lúcido. 
Nada de estéticas com coração: sou lúcido. 
Merda! Sou lúcido.
                   
Álvaro de Campos (1890 - 1935)
   

Quinta do Covelo - Cidade do Porto

 

 

Ponte de D.ª Maria - Cidade do Porto

 

 Fotografias de João Manuel Tavares Martins

 
música: Mantra 24'-44' Karlheinz Stockhausen
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Quinta-feira, 18 de Maio de 2006

É urgente o amor

É urgente o amor.
É urgente um barco no mar.

É urgente destruir certas
palavras,
Ódio, solidão e crueldade,
Alguns lamentos,
Muitas espadas.

É urgente inventar alegria,
Multiplicar os beijos, as searas,
É urgente descobrir rosas e rios
E manhãs claras.

Cai o silêncio nos ombros e a luz
Impura, até doer.
    
É urgente o amor, é urgente
permanecer.

 
Eugénio de Andrade (1923-2005)
  
  

A agonia de uma traineira

  

     

  

 

Sol e maresia

  

 

 

  

O farol

  

 

 

Zona da Foz - Cidade do Porto

Fotografias de João Manuel Tavares Martins

   

música: Albinoni, Tomaso (1671-1751) - Adagio
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Quarta-feira, 10 de Maio de 2006

Ricardo Reis

j





"Para ser grande, sê inteiro: nada
Teu exagera ou exclui.
Sê todo em cada coisa. Põe quanto és
No mínimo que fazes.
Assim em cada lago a lua toda
Brilha, porque alta vive."


Ricardo Reis



Mário Luís Andrade
música: 'Moonlight' Sonata - Beethoven - Arthur Rubinstein
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Sábado, 29 de Abril de 2006

Ternura

Desvio dos teus ombros o lençol,
que é feito de ternura amarrotada,
da frescura que vem depois do sol,
quando depois do sol não vem mais nada...

 

Olho a roupa no chão: que tempestade!
Há restos de ternura pelo meio,
como vultos perdidos na cidade
onde uma tempestade sobreveio...

 

Começas a vestir-te, lentamente,
e é ternura também que vou vestindo,
para enfrentar lá fora aquela gente
que da nossa ternura anda sorrindo...

 

Mas ninguém sonha a pressa com que nós
a despimos assim que estamos sós!

 

Ternura, David Mourão Ferreira (1927-1996)

 

 

 

 

 

 

 

Jardins do Palácio de Cristal - Porto

Fotografias de João Manuel Tavares Martins

 

 

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